Hamas estaria pronto para começar trégua no sábado, diz jornal

Imprensa diz que Israel não aceitou prazo para cessar-fogo e monitoramento de fronteiras proposto pelo grupo

Agências internacionais,

16 de janeiro de 2009 | 09h45

O movimento islâmico palestino Hamas aceitou uma trégua nas hostilidades a partir deste sábado na Faixa de Gaza, que poderia se transformar em um cessar-fogo de um ano, informou nesta sexta-feira, 16, o jornal saudita internacional Asharq al-Awsat, que não cita nenhuma fonte. Mais cedo, fontes israelenses e ocidentais disseram em Jerusalém que o governo recusou algumas das condições impostas pelo Hamas para o estabelecimento de um cessar-fogo.   Veja também: Para Israel, guerra em Gaza está entrando no 'ato final' Hamas abriu fogo de dentro de prédio da ONU, acusa premiê Ministro do Interior do Hamas foi morto, dizem israelenses Invasão já deixou US$ 1,4 bilhão em prejuízos Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques         Segundo o jornal, o Hamas e as autoridades egípcias - o Egito está intermediando separadamente entre o grupo palestino e Israel - definiram um plano de cinco pontos para colocar fim ao conflito em Gaza, que já dura três semanas:  que a trégua recíproca começasse no sábado e fosse seguida da transferência de ajuda humanitária na Faixa de Gaza; as forças israelenses deve retirar todos os seus soldados do território palestino na primeira semana de trégua; o fluxo de mercadorias para Gaza deve ser retomado, ou seja, o fim do embargo econômico, e monitorado por observadores do Egito, da Europa e da Turquia; a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, deve ser reaberta e monitorada por forças da Autoridade Nacional Palestina, liderada por Mahmoud Abbas, observadores e soldados de forças internacionais até que um governo de unidade palestina seja implementado; a trégua teria validade de um ano com possibilidade de ser renovada.   Jerusalém mostrou reservas em relação às exigências do grupo, apesar da promessa do Egito de acabar com o tráfico de armas realizado nos túneis construídos na fronteira, um dos pedidos de Israel. As fontes israelenses e ocidentais afirmarm que Israel discordou da duração do cessar-fogo e o gerenciamento dos cruzamentos de fronteira. "Um limite de tempo para qualquer período de calma é um erro", disse uma fonte israelense. "Vimos isso quando a trégua anterior acabou, isso foi apenas uma desculpa para a escalada da violência", disse.   Diplomatas se mostram cada vez mais confiantes na adoção de um cessar-fogo nos próximos dias, e sugerem que Israel estaria fazendo suas últimas investidas antes do eventual acordo. Na quinta-feira, um bombardeio israelense matou um dos principais lideres do Hamas, Saeed Seyyam, que como ministro do Interior da Faixa de Gaza comandava um contingente de 13 mil soldados e seguranças. Nove outras pessoas morreram no ataque. Na sexta-feira, uma multidão acompanhou o funeral do ministro.   "As condições ainda chegaram à fruição (da trégua)", disse o ministro israelense Binyamin Ben-Eliezer. "Mas isso pode bem acontecer na noite de sábado, e podemos deixar essa história para trás."   Israel disse na sexta-feira que sua ofensiva em Gaza pode estar "no último ato", e despachou enviados para discutir termos de uma trégua. A posse do novo presidente dos EUA, Barack Obama, na terça-feira, é considerada por alguns como um prazo para que Israel ceda à pressão internacional e suspenda os ataques. Em visita à região, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, voltou a dizer que espera uma trégua nos próximos dias, e insistiu para que Israel pare imediatamente. "É hora de pensar até em um cessar-fogo unilateral", declarou ele em Ramallah, na Cisjordânia.   Pelo menos cinco foguetes caíram em Israel, segundo o Exército. Em Gaza, bombardeios israelenses mataram três militantes e um civil palestinos, segundo fontes médicas e do Hamas. "Tomara que estejamos no último ato", disse Mark Regev, porta-voz do governo de Israel, acrescentando que uma decisão sobre a trégua pode ser tomada rapidamente pelo gabinete de segurança do país após informações dos enviados diplomáticos a Washington e ao Cairo.   Enquanto a população de Gaza respirava aliviada com a relativa calma da sexta-feira, depois dos intensos ataques da véspera, houve redução também nos disparos de foguetes do Hamas contra Israel. Não está claro se isso indica uma tendência, mas impedir esses disparos foi a principal justificativa de Israel para lançar a ofensiva em 27 de dezembro. Durante a madrugada, Israel ainda bombardeou por ar cerca de 40 alvos, e ao amanhecer os moradores ficaram surpresos com a profundidade da incursão dos tanques israelenses na Cidade de Gaza.   Equipes médicas disseram ter aproveitado uma "pausa humanitária" de quatro horas na sexta-feira para recuperar 23 corpos dos combates anteriores no bairro de Tel Al Hawa, na zona sudoeste da cidade, de 500 mil habitantes.

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