Hamas executa dois suspeitos de espionar para Israel

Pena de morte é concedida pela primeira vez no governo do Hamas

AP e EFE

15 de abril de 2010 | 08h19

CIDADE DE GAZA - O chefe da corte militar de Gaza disse nesta quinta-feira,15, que dois informantes de Israel foram executados.

 

As execuções marcaram a primeira vez em uma década - e a primeira vez sob o governo do Hamas - que a sentença de morte foi dada em Gaza.

 

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O fato indicou uma escalada de formas do Hamas de manter o controle sobre Gaza. Os militantes islâmicos tomaram o território em 2007.

 

O chefe da corte militar, Ahmed Atallah, anunciou as execuções em um informe no site do Ministério do Interior de Gaza. Ele identificou os dois homens como os colaboradores Muhamad Ismail, 32 anos, e Nasser Aby Frayey, 35, originais respectivamente do campo de refugiados de Jabalya, no norte, e de Rafah, no sul, conforme informou a edição digital do jornal israelense "Yedioth Ahronoth".

 

Segundo a sentença judicial, os executados tinham passado informação a Israel e provocado a morte de centenas de civis e milicianos palestinos durante a ofensiva israelense em Gaza "Chumbo Fundido", de dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que deixou 1,4 mil palestinos mortos, na maioria de civis.

 

Atallah não disse como eles foram executados. Um empregado do principal hospital de Gaza disse que os corpos perfurados com balas foram deixados no hospital por homens armados nesta quinta-feira.

 

Em Gaza, há pelo menos outras 18 pessoas condenadas à pena de morte (passar pelo pelotão de fuzilamento ou enforcamento), enquanto na Cisjordânia estão pendentes três sentenças capitais nos tribunais militares.

 

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e líder do Fatah, Mahmoud Abbas, se nega a aplicar pena de morte, um requisito que exige a Lei Básica palestina.

 

A rubrica é impossível de conseguir dada a situação de divisão entre as duas principais facções palestinas: Fatah, que controla Cisjordânia, e Hamas, que está no comando de Gaza.

 

Os dois grupos mantêm divergências desde junho de 2007, quando homens do Hamas expulsaram de Gaza às forças de segurança leais a Abbas em seis dias de sangrentos combates.

 

Soma-se a isto o fato de os islamitas não reconhecerem a autoridade de Abbas.

 

A lei palestina considera "alta traição" passar informação ao inimigo, o que castiga com execução.

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