Hamas faz convite a ministro francês para visita a Gaza

Convite aparece após reunião de diplomata francês com grupo palestino; EUA e Israel condenam diálogo

Efe,

24 de maio de 2008 | 13h27

O governo do Hamas em Gaza convidou neste sábado, 24, o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, a visitar a faixa territorial, depois que este admitiu que um diplomata de seu país se reuniu nesse território com dirigentes islâmicos. Taher al-Nunu, porta-voz do Governo do Hamas, justificou a oferta na "postura moral da França refletida nas declarações de Bernard Kouchner".  Veja também:Cessar-fogo em Gaza pode entrar vigor nesta semana, diz jornalIsraelenses vêem manobra de Olmert em negociação de paz com a Síria O movimento islâmico também convidou o Ministério francês a "desempenhar um papel ativo" no combate à "divisão entre os palestinos", em referência à lacuna entre os dois principais grupos palestinos: o Hamas, que controla Gaza, e o Fatah, que só exerce sua autoridade na Cisjordânia. Kouchner está em visita a Israel e à Cisjordânia desde terça-feira, mas não deve ir à Gaza, já que a comunidade internacional boicota o Hamas desde que o movimento ganhou as eleições de janeiro de 2006. Na sexta, em entrevista coletiva de encerramento de uma conferência realizada em Belém para garantir investimentos na Autoridade Nacional Palestina (ANP), o chanceler francês afirmou que "nada justifica a ampliação dos assentamentos" judeus na Cisjordânia. Israel continua ampliando algumas das atuais colônias em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, apesar de isto representar uma violação ao Mapa de Caminho, o plano de paz de 2003 que guia as atuais conversas de paz com os palestinos, iniciadas na Conferência de Annapolis (EUA), em novembro passado. O governo israelense argumenta que não faz sentido parar de construir em Jerusalém Oriental - onde não considera que haja assentamentos, mas bairros - ou na Cisjordânia, por considerar que terá soberania sobre essas localidades uma vez ratificado um eventual acordo de paz. Na última terça-feira, Kouchner reconheceu que seu país tinha retomado os "contatos" com o Hamas, mas frisou que não foram "relações" formais e que de nenhuma maneira supunham um rompimento do bloqueio internacional ao movimento islâmico. O diplomata francês Yves Aubin de la Messuzière, aposentado desde janeiro, se reuniu um mês atrás em Gaza com os principais líderes do Hamas, incluindo Ismail Haniyeh e Mahmoud Zahar, segundo o "Le Figaro". Resposta americana Após tomar conhecimento dessa notícia, a Casa Branca chamou de "imprudente" a retomada do diálogo com o Hamas, grupo que tanto os EUA quanto a União Européia (UE) consideram terrorista. Além disso, o movimento islâmico rejeita as três condições do Quarteto de Madri para o Oriente Médio (ONU, EUA, UE e Rússia): reconhecimento do Estado de Israel, dos acordos entre este e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e a renúncia à violência. Israel disse que pediu explicações à França imediatamente após tomar ciência desses contatos. 

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