Hamas faz nova oferta de trégua a Israel

Facção islâmica afirma que deixará de lançar foguetes se Estado judeu interromper incursões contra palestinos

Agência Estado e Associated Press,

25 de fevereiro de 2008 | 12h05

O grupo islâmico Hamas conterá os disparos de foguetes na direção de Israel se o Estado judeu interromper as ações militares contra os palestinos, afirmou nesta segunda-feira, 25, um destacado líder da organização rebelde. O grupo organizou ainda nesta segunda uma manifestação da qual participaram milhares de civis nas proximidades do entroncamento de Erez, entre Israel e Gaza, a fim de protestar contra a crônica escassez de suprimentos vitais em conseqüência das restrições israelenses ao território palestino.   Veja também:  Palestinos formam 'corrente humana' em protesto contra Israel   Israel concentrou milhares de soldados e policiais ao longo de sua volátil fronteira com a Faixa de Gaza, temendo que manifestações maciças convocadas pelo grupo militante Hamas contra o bloqueio imposto pelo Estado judeu à região se tornassem violentas.   A declaração de Mohammed Nazzal, um integrante do Hamas, vem à tona um dia depois de o prefeito de Sderot, Eli Moyal, ter-se declarado pronto para reunir-se com o Hamas se isso levasse ao fim dos disparos. Sderot, no sul de Israel, é o mais freqüente alvo dos foguetes rústicos disparados a partir de Gaza.   "O Hamas está pronto para tranqüilizar-se e conter os disparos de foguete contra Sderot se Israel contiver a agressão" contra o povo palestino, disse Nazzal durante conversa por telefone com a Associated Press. "A mensagem é clara e não requer acordo", disse Nazzal, que estava no Líbano durante a entrevista.   Os comentários de Nazzal têm teor parecido com os feitos recentemente por líderes do Hamas em Gaza. O primeiro-ministro de Gaza, Ismail Haniye, e outros funcionários do alto escalão do governo do Hamas no território palestino litorâneo vinham sinalizando recentemente a disposição de ingressar numa trégua com Israel se fossem suspensas a campanha militar e as sanções econômicas impostas a Gaza.   Mas Israel insiste na posição de não negociar com o Hamas enquanto o grupo não renunciar à violência, não aceitar o direito de existência do Estado judeu e não aceitar acordos de paz assinados no passado.   Numa entrevista publicada durante o fim de semana, Moyal disse ao jornal britânico The Guardian que desejava negociar diretamente com o Hamas o fim dos disparos contra Sderot, uma cidade operária de 23 mil  habitantes a apenas dois quilômetros da fronteira de Gaza. O impasse entre Israel e o Hamas deixa os habitantes da região em constante alerta.   Apesar de a fabricação dos foguetes ser rústica e de os projéteis serem amplamente erráticos, 12 pessoas morreram no lado israelense ao longo dos últimos sete anos. No mesmo período, ataques israelenses contra Gaza resultaram na morte de centenas de palestinos.   'Corrente humana'   Cerca de 5 mil pessoas, muitas delas estudantes e universitários, participaram de uma corrente humana nos arredores da cidade de Beit Hanoun, a cerca de seis quilômetros da fronteira. A multidão agitava faixas com os dizeres em inglês e árabe "Ponham fim ao bloqueio de Gaza agora" e "Seu cerco não irá quebrar nossa determinação". O protesto terminou pacificamente.   Em meio a temores de que o Hamas promova novas manifestações na terça, Israel estabeleceu diversos postos de controle no sul de seu território para inibir a aproximação de civis e amplas áreas foram declaradas zonas militares de acesso restrito. De acordo com a polícia israelense, 5 mil policiais foram enviados para ajudar o Exército. A mídia local, por sua vez, informava que os militares haviam posicionado uma bateria de artilharia e espalhado franco-atiradores pela fronteira.   O coronel Zeev Sharoni, porta-voz do Exército, disse que as autoridades locais não haviam recebido nenhuma advertência específica referente a problemas, mas assegurou que os militares farão "tudo o que for necessário para impedir as pessoas de entrarem em território israelense".   Depois do fim do protesto principal, cerca de 2 mil simpatizantes do Hamas dirigiram-se a um posto de fronteira a alguns quilômetros de Erez. A polícia do Hamas bloqueou a estrada que leva a Erez e pediu aos manifestantes que não fossem até lá. Pelo menos 50 jovens aproximaram-se brevemente de Erez. Eles atiraram pedras e queimaram pneus, disseram testemunhas. Soldados israelenses informaram inicialmente que atiraram para o alto e a multidão se dispersou. Mais tarde, o Exército afirmou ter prendido 50 jovens palestinos que atiraram pedras na direção do entroncamento.   Manifestações menores ocorreram em outras partes de Gaza, também sem incidentes. Mas os jornais estamparam alertas em suas primeiras páginas e as rádios e tevês de Israel dedicaram sua cobertura matinal advertindo sobre o evento, falando de um possível êxodo em massa de palestinos de Gaza. "É absolutamente claro que entre eles haverá pessoas com cargas explosivas, haverá aqueles entre eles que estarão prontos a qualquer momento a explodir a cerca fronteiriça", afirmou o parlamentar ultranacionalista Effie Eitam à Rádio de Israel, refletindo a histeria disseminada pela mídia local.   "Haverá explosões, soldados ficarão feridos e uma horda se espalhará por nosso território", prosseguiu Eitam. "Se isso acontecer, será o fim do Estado judeu", concluiu.   Depois das manifestações desta segunda, o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que as forças israelenses não interferirão "na liberdade dos palestinos de realizar protestos ou manifestações dentro de Gaza, mas o Exército defenderá as fronteira e as passagens de Gaza para Israel".   Sami Abu Zhuri, porta-voz do Hamas, observou a manifestação como uma mensagem de que "Gaza está à beira de uma explosão Os palestinos não continuarão aceitando o cerco e o fechamento das fronteiras". No mês passado, militantes do Hamas explodiram parte de um muro que separa Gaza do Egito. Centenas de moradores de Gaza atravessaram a fronteira e compraram tudo o que puderam para se abastecer. O Egito selou a fronteira somente depois de duas semanas.   Violência   Nesta segunda, um menino de dez anos ficou gravemente ferido depois de ter sido atingido por um foguete rústico disparado na direção de Sderot, no sul de Israel, disseram fontes hospitalares. Um serviço de resgate informou que o menino perdeu parte de um dos braços. David Baker, porta-voz do governo israelense, assegurou que o Estado judeu manterá os ataques contra os rebeldes palestinos.   Mais cedo, dois bombardeios israelenses contra Gaza provocaram a morte de três milicianos do Hamas, informou o grupo. O Exército israelense confirmou ataque. Um quarto militante palestino foi encontrado morto no sul de Gaza. Os Comitês de Resistência Popular informaram que o homem pertencia ao grupo e havia morrido num choque com militares israelenses. O Exército de Israel não se pronunciou sobre o caso.

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