Hamas lança ultimato; Fatah denuncia golpe

Luta pelo poder entre os dois grupos provoca uma nova onda de violência em na Faixa de Gaza

Efe e Associated Press,

12 Junho 2007 | 18h02

O grupo islâmico Hamas exigiu nesta terça-feira, 12, que forças de segurança subordinadas ao Fatah abandonem as posições que ocupam em Gaza e ameaçou atacar aqueles que mantiverem seus postos. Em contrapartida, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, acusou o Hamas de tentar tomar o controle da Faixa de Gaza pela força.   "Todos as informações (em nosso poder) indicam que a tendência dos dirigentes políticos e militares do Hamas estão planejando um golpe contra as legítimas instituições e significa que poderão tomar o controle em Gaza pela força", afirma um comunicado emitido pela Presidência palestina.   Rádios ligadas ao Hamas alertaram que o braço armado do grupo já assumiu o controle das instalações de segurança no norte e no centro de Gaza, assim como na cidade sulista de Khan Younis.   Em um dos incidentes, o Hamas alertou pelos alto-falantes de uma mesquita que atacaria a sede do Serviço de Segurança Preventiva, na Cidade de Gaza. A força é leal ao Fatah, grupo rival do Hamas.   "O prazo que demos para que vocês se rendessem expirou. Nós atacaremos essa posição de colaboradores sionistas", avisou o Hamas. Pouco depois foram ouvidos disparos na sede do Serviço de Segurança Preventiva. Pouco depois, disparos foram ouvidos na sede do Serviço de Segurança Preventiva.   As instalações, a cargo de efetivos do aparelho de segurança leais ao presidente da ANP, foram abandonadas pelos funcionários, sob ameaça dos islamitas.   Além disso, funcionários acusavam o Irã de promover os ataques dos extremistas islâmicos contra os nacionalistas, enquanto em meios do Hamas afirma-se que Abbas é "um agente dos judeus".   Um porta-voz do Fatah, ligado ao presidente Abbas, disse que seu Comitê Central irá se reunir às 14h (horário de Brasília) para decidir se continuará ou não no governo de unidade formado com o Hamas em março.   Violência   Milicianos do Hamas, no que parece ser uma ampla operação para tomar centros vitais da Faixa de Gaza, atacaram nesta terça com 200 homens um edifício dos órgãos de segurança do Fatah no norte da região.   Trata-se de da sede de um órgãos de segurança a serviço da ANP situado ao leste do campo de refugiados de Jebalia, com mais de 100.000 habitantes, onde 500 agentes prestam serviço, informaram fontes do Fatah.   Os islamitas atacaram o quartel com morteiros e lança-granadas. Um dos oficiais de Fatah no quartel, Haled Awad, disse que os homens do Hamas estavam "atirando de todos os lados".   Atiradores do Hamas invadiram nesta terça-feira a base de segurança do Fatah na Cidade de Gaza, minutos depois de terminar um prazo dado pelo grupo islâmico para que a facção secular deixasse instalações estratégicas na área.   Na Cisjordânia, o ministro dos Transportes da ANP, Faidi Shabaneh, foi seqüestrado por integrantes do Fatah, anunciou o Hamas. O seqüestro ocorreu em Ramallah. Shabaneh é ligado ao grupo islâmico.   Mais cedo, uma granada propelida por foguete atingiu a casa do primeiro-ministro palestino Ismail Haniyeh, filiado ao Hamas. Apesar dos danos ao imóvel, o primeiro-ministro e seus familiares não ficaram feridos.   O ataque faz parte dos mais recentes confrontos entre integrantes do Fatah e do Hamas, retomados no fim de maio depois de várias semanas de calmaria. Dezoito pessoas morreram entre segunda e terça.   O Hamas qualificou o ataque como uma tentativa de assassinato contra Haniyeh, que mora no campo de refugiados de Shati, em Gaza.   A violência entre facções palestinas chegou a um hospital do sul da Faixa de Gaza, onde milicianos do Fatah e do Hamas trocaram tiros, informaram fontes do centro. Insurgentes do Hamas estariam impedindo o atendimento ao feridos do Fatah.   Nesta segunda-feira, houve incidentes semelhantes no principal hospital da Faixa de Gaza, o de Shifa, em Cidade de Gaza, e no da localidade de Beit Hanoun.   Desde segunda-feira e até o começo das negociações para um novo cessar-fogo entre o Fatah e o Hamas, 18 moradores de Gaza morreram, entre eles uma mulher e três adolescentes de uma mesma família, e o sobrinho do ex-líder do Hamas Abdel Aziz Rantissi, assassinado em 2004 em um ataque da Força Aérea israelense.

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