Hamas oferece trégua a Israel em Gaza

O grupo islâmico Hamas propôs nasexta-feira uma trégua de seis meses entre Israel e ospalestinos na Faixa de Gaza, com a opção de ampliá-la para aCisjordânia. O ex-chanceler palestino Mahmoud Al Zahar disse no Cairo,onde se reuniu com o chefe da inteligência egípcia, OmarSuleiman, que a trégua deve incluir também o fim do bloqueiocosteiro israelense na Faixa de Gaza. "O movimento [Hamas] concorda com uma trégua na Faixa deGaza, fixada em seis meses, período no qual o Egito trabalharápara ampliar a trégua para a Cisjordânia", disse Zahar, lendouma nota do Hamas. "A trégua deve ser mútua e simultânea, os bloqueios devemser suspensos, e os pontos de passagem, abertos, incluindo apassagem de Rafah [entre Egito e Gaza]", acrescentou. Outras facções palestinas, inclusive a Jihad Islâmica egrupos esquerdistas sediados em Damasco, haviam aprovadopreliminarmente a proposta, segundo Zahar. Ele acrescentou que Suleiman, principal contato do Egitocom o Hamas e Israel, havia se prontificado a convocar asfacções palestinas para discutirem a oferta na terça equarta-feira que vem, na busca por um consenso. Em seguida Suleiman faria contatos com Israel para avaliaro comprometimento do Estado judeu com a trégua e marcar a datado início, acrescentou o dirigente do Hamas. Israel retirou suas tropas da Faixa de Gaza em 2005, masainda controla as fronteiras e o espaço marítimo, e aumento asrestrições depois que o Hamas assumiu o poder na região, emjunho. Dezenas de palestinos foram mortos por ataques israelensesna Faixa de Gaza nos últimos dez dias. No dia 16, uma ação demilitantes na fronteira de Gaza matou três soldadosisraelenses. São freqüentes também os disparos de foguetespalestinos contra o sul de Israel, normalmente sem fazervítimas. Até agora, o Hamas defendia que qualquer trégua deveriaentrar em vigor simultaneamente na Cisjordânia e na Faixa deGaza. Israel diz querer a "calma" na fronteira, mas alega quepara isso os palestinos devem parar definitivamente de lançarfoguetes e contrabandear armas. "Não podemos ter um período decalma que seja apenas a calma antes da tempestade", disse MarkRegev, porta-voz do governo israelense. O embaixador de Israel na ONU afirmou que a trégua daria aoHamas a chance de se reagrupar. "Não acredito que o Hamas seja digno de confiança. Quandoeles oferecem a trégua é porque nós somos capazes...deatingi-los onde realmente dói e eles então precisam de tempopara se reagrupar, para se rearmar e estarem prontos para apróxima fase", declarou Dan Gillerman aos repórteres em NovaYork. Israel diz que não está negociando, mas que não teriamotivos para atacar a Faixa de Gaza se não houvesse foguetessendo lançado contra seu território. Zahar acrescentou que a eventual trégua não incluirianenhuma decisão sobre o destino de milhares de presospalestinos em Israel, como a sua eventual troca pelo cabo GiladShalit, sequestrado na Faixa de Gaza desde 2006. "A questão dos prisioneiros não está sobre a mesa e estáadiada até depois de a trégua entrar em vigor", afirmou. (Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi)

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