Hamas oferece turnê em Gaza a jornalistas estrangeiros

O grupo palestino Hamas fez um apelo àimprensa internacional para que mostre ao mundo o que seu líderclassificou como o sofrimento do povo de Gaza, por causa doembargo internacional, depois de promover uma excursão paramostrar aos jornalistas que a organização islamita levou a pazà região. "Gaza hoje está melhor", disse Ismail Haniyeh, que ainda seautodenomina primeiro-ministro palestino, a dezenas derepórteres estrangeiros que fizeram o passeio num ônibus,visitando uma prisão, uma igreja, postos de controle nafronteira e instalações de segurança. "Mas o cerco sufocante ... está afetando muito Gaza",acrescentou ele, dois dias antes de a secretária de Estadonorte-americana, Condoleezza Rice, embarcar para uma novarodada de negociações de paz em Israel e na Cisjordânia."Espero que vocês tenham visto o sofrimento e mostrem ao mundoa realidade do sofrimento." No mês passado, o Hamas expulsou de Gaza as forças leais àfacção Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas. Desdeentão, Israel e Egito praticamente fecharam suas fronteiras como território costeiro, enquanto o Fatah passou a controlar aCisjordânia, com um governo de emergência. Israel e seus aliados rejeitam o Hamas porque o grupoislamita recusa-se a renunciar à violência e a aceitar aexistência de Israel. Em Gaza, o fim de meses de conflito entre as facções levoucerta calma ao território de 1,5 milhão de habitantes, e muitoscorrespondentes estrangeiros voltaram a trabalhar lá. Embora o fornecimento de alimento e combustível estejagarantido, a ONU já advertiu sobre a iminência de uma crise, jáque o embargo comercial obrigou os negócios a fechar, eaumentou a dependência à assistência externa. Um integrante do Hamas que serviu de guia na excursãoafirmou: "Vocês podem ver que Gaza está mais calma. Tudo emGaza está sob controle. Todo mundo dá as boas-vindas. Dá parair a qualquer lugar." Os jornalistas foram a uma prisão em que um dia ficaramdetidos os prisioneiros políticos do Hamas, e que hoje, segundoo grupo, só possui criminosos comuns, que por sua vez elogiaramo tratamento que recebem. Um deles disse que estava cumprindoseis meses por contravenções ligadas às drogas mas que esperavaser liberado em troca de aprender a recitar o Alcorão. O líder da Força Executiva do Hamas garantiu aos repórteresque não há prisioneiros políticos. O vice-presidente doParlamento palestino, por sua vez, assegurou o respeito aosdireitos humanos. O padre Manuel Musallam afirmou aos jornalistas em suaigreja que o Hamas não é "um movimento religioso", hostil àminoria cristã, mas um "movimento político" dedicado ao povopalestino. "Sou o melhor amigo do senhor Haniyeh", acrescentou. O próprio Haniyeh, que ofereceu almoço aos jornalistas,insistiu não estar fazendo propaganda, mas sim tentandoresponder às críticas de seus adversários, que acusam o Hamasde ter detido dezenas de ativistas do Fatah depois das batalhasde junho. "Não é um dia de relações públicas. É um dia paramostrar a verdade", disse. "Pode ter havido erros, mas ressalto que foram bem poucos,e eles serão julgados sob a lei." Ele reafirmou sua disposição em negociar com Abbas. E,responsabilizando Israel pelos ataques com foguetes, disseoferecer ao Estado judaico uma trégua "abrangente e recíproca". (Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi)

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