Hamas pede que UE investigue denúncias de desvio de verba

União Européia interrompe financiamento de ajuda energética para Gaza sob a acusação de corrupção

Associated Press e Agência Estado,

21 de agosto de 2007 | 10h42

Os líderes do Hamas em Gaza convidaram nesta terça-feira, 21, a União Européia (UE) a enviar uma equipe de investigadores para apurar denúncias de desvio do dinheiro enviado pelo bloco na forma de ajuda energética aos palestinos. Na segunda-feira, a UE anunciou a suspensão dos repasses depois de o movimento Fatah, do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ter acusado o Hamas de desviar o dinheiro da ajuda energética para outros fins. Líderes do grupo islâmico negam a acusação da facção rival e denunciam que um ex-diretor filiado ao Fatah seria o verdadeiro responsável pelo desvio de dinheiro. A crise energética começou na semana passada, quando Israel fechou um entroncamento de fronteira pelo qual passavam caminhões de combustível usado em geradores e agravou-se com a decisão européia de suspender os repasses enquanto o Hamas não oferecer garantias de que não há desvio. Nos últimos dias, nos quais as temperaturas chegaram a 34ºC no território palestino litorâneo, pelo menos a metade dos 1,4 milhão de habitantes de Gaza ficou sem energia elétrica por causa da crise. Nesta terça, o líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniye, disse que seu governo não desviou nenhum dinheiro da companhia energética ajudada pela UE. Ele qualificou a denúncia como uma tentativa de Abbas de colocar o Hamas em descrédito e acusou a UE de fazer o jogo do Fatah. "Nós desafiamos quem quer que diga que o governo desviou um único Shekel do orçamento da companhia ou um litro de óleo diesel", disse Haniye durante entrevista coletiva concedida em Gaza. "Nós receberemos qualquer comissão de inquérito para investigar que não estamos envolvidos nos negócios com eletricidade em Gaza", prosseguiu Haniye, que era primeiro-ministro palestino quando Abbas dissolveu o governo depois que o Hamas assumiu o controle do território pela força, em junho último. No domingo, a UE parou de pagar pelo combustível utilizado nos geradores da Companhia Geradora de Gaza, que atendem à demanda de cerca de metade da população de Gaza e ontem informou que os repasses serão retomados somente depois da confirmação de que o Hamas não estaria "desviando" as receitas com eletricidade. O Hamas assumiu o controle total de Gaza em meados de junho, quando derrotou militarmente o Fatah. O movimento de Abbas, que ficou com o controle da Cisjordânia, acusa o Hamas de ter embolsado a ajuda energética da UE. No mês passado, entretanto, o Hamas deteve o diretor-executivo da companhia elétrica, filiado ao Fatah, com base em acusações de corrupção e desvio de dinheiro. Nas últimas semanas, agentes do Hamas promoveram uma campanha de porta em porta para arrecadar o dinheiro de pagamentos atrasados das contas de luz entre os habitantes de Gaza. Enquanto o Hamas nega que controle diretamente a companhia, o Fatah insiste que a detenção do diretor é uma evidência de que o grupo controla a empresa.

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