Hamas pede reconciliação sem abandonar luta contra Israel

Condição do grupo que controla Gaza pode impossibilitar qualquer acordo com Abbas, que negocia com o país

Associated Press e Reuters,

23 de janeiro de 2009 | 09h03

O grupo militante islâmico Hamas fez na quinta-feira, 22, um chamado de reconciliação com partidários de seu adversário, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Porém o Hamas insistiu em manter a "resistência" contra Israel. A condição parece impossibilitar qualquer acordo com Abbas, que busca um acordo de paz com Israel e cuja moderada facção laica, o Fatah, não estava entre os grupos que respaldaram a declaração do Hamas e outras sete facções palestinas radicais sediadas em Damasco.  O chamado ocorreu dias após o fim da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, encerrada no domingo, que deixou mais de 1.300 palestinos mortos. O Hamas expulsou as forças do Fatah de Gaza em junho de 2007. O grupo de Abbas controla a Cisjordânia e negocia com Israel há mais de um ano.  As oito facções rechaçam qualquer reconciliação política que impeça "a continuidade da resistência" contra Israel. O governo israelense não comentou o fato. Estados Unidos e Israel consideram o Hamas um grupo terrorista. O Hamas é comprometido com a destruição de Israel, o que gera esforços internacionais para isolar Gaza. O primeiro-ministro de Abbas, Salam Fayyad, também pediu uma reconciliação entre os palestinos. Para ele, a alternativa a isso seria uma fissura permanente, que destruiria o sonho dos palestinos de um Estado próprio. Aproximação do Ocidente O líder político do Hamas exilado em Damasco, Khaled Meshal, pediu a ajuda dos líderes ocidentais para acabar com o bloqueio israelense imposto à Faixa de Gaza. Em discurso transmitido por redes de TV árabes na quarta-feira, Meshal se dirigiu ao novo presidente americano, Barack Obama, e a líderes europeus, dizendo que "é uma vergonha proibir armas para a resistência palestina". Segundo ele, o Ocidente deve aprender a lição e perceber que é impossível destruir seu grupo. "Três anos tentando eliminar o Hamas é o suficiente. É hora de negociar com o Hamas, que ganhou legitimidade por meio da luta", afirmou.Em seu discurso de posse, Obama afirmou que falará com inimigos, mas não se pronunciou especificamente sobre o Hamas. O quarteto de mediação para o Oriente Médio, formado por EUA, União Europeia, Rússia e ONU, diz que não pode haver diálogo com o grupo palestino enquanto ele não reconhecer o Estado de Israel, renunciar à violência e aceitar acordos interinos assinados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP).Meshal também conclamou os países "amigos" da América Latina a apresentar denúncias contra o "inimigo sionista" em tribunais internacionais. Aos países árabes, o líder do Hamas expressou seu agradecimento pelo apoio. Durante o discurso, Meshal afirmou ainda que seu grupo conquistou uma "grande vitória" contra Israel, que "teve de declarar um cessar-fogo sem impor qualquer condição à resistência". Entretanto, em mais uma demonstração de como o grupo está dividido, o porta-voz do Hamas no Líbano, Osama Hamdan, criticou as primeiras declarações de Obama. "Ele começou mal. Ele insiste em não mudar nada. Pelo jeito, os próximos anos serão como os últimos quatro", disse Hamdan à TV Al-Jazira.var keywords = "";

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