Hamas pede vingança por ofensiva de Israel em Gaza

Premiê diz que facção é responsável por guerra; 20 palestinos morreram, incluindo cinegrafista da Reuters

Agências internacionais,

17 de abril de 2008 | 09h03

Após a sangrenta jornada de quarta-feira, em que 20 palestinos foram mortos, a maioria civis, na ofensiva do Exército israelense depois da morte de três soldados palestinos, o Hamas pediu por vingança nesta quinta, 17. O movimento convocou o seu braço armado a "golpear o inimigo sionista em todas as partes e de todas as formas possíveis, já que ele não entende outra linguagem além da força". O governo israelense colocou suas forças de segurança em alerta máximo.   Veja também:  Paz depende da libertação de presos palestinos, diz Abbas   Entre os mortos está um cinegrafista palestino da agência britânica Reuters, que cobria o conflito. As imagens da câmera de Fadel Shana, de 23 anos, mostram um tanque israelense estacionado a centenas de metros abrindo fogo em sua direção. Segundos depois, após os disparos levantarem uma nuvem de poeira, a imagem some - aparentemente no momento em que Shana foi atingido. Antes de as imagens serem analisadas, testemunhas disseram que a explosão aparentemente tinha sido causada por um ataque aéreo. O veículo da Reuters - um utilitário blindado identificado com adesivos de imprensa - foi destruído. O técnico Wafa Abu Mizyed, de 20 anos, ficou ferido na explosão.   Em comunicado, o Hamas pede por uma resposta das Brigadas de Ezedin el Kassam, seu braço armado, aos ataques israelenses "que não se importaram com o momento ou lugar". A jornada foi lançada em represália pela morte de 3 soldados israelenses, horas antes, em uma emboscada de militantes do Hamas.   Nesta quinta, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou que Israel fará com que o Hamas pague o preço pelo que se passa em Gaza. "Consideramos o Hamas responsável pelo que se passa na Faixa, uma guerra."   A nova onda de violência ocorreu após um mês de relativa calma e ameaça prejudicar os esforços do Egito para mediar um cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 14 de junho, quando derrotou as forças de segurança ligadas à Autoridade Palestina.O número de mortos em Gaza foi o mais alto desde que uma ampla ofensiva de Israel, no início de março, matou mais de 120 palestinos. Desde então, Israel e o Hamas aparentemente aderiram a uma trégua informal, apesar de esporádicos disparos de foguetes palestinos e alguns ataques aéreos israelenses.   A ação de quarta também foi a mais sangrenta do lado do Exército israelense, já que é incomum perder três soldados num mesmo dia. Por isso, as forças de segurança foram colocadas em estado de alerta e todos as passagens para a Cisjordânia foram fechadas por temores de atentados a partir de sábado, quando começa a Páscoa judia, e que dura uma semana.   Funeral   Centenas de palestinos acompanharam, em Gaza, o enterro de Fadal Shana, cinegrafista da agência de notícias britânica Reuters morto em um ataque do Exército israelense. Shana morreu quando seu blindado e claramente identificado como imprensa foi atingido por um projétil israelense enquanto trabalhavam próximo ao campo de refugiados de El Bureij.   Dezenas de jornalistas se concentraram nesta manhã em frente ao hospital onde estava o corpo do câmera. Antes de dirigir-se ao enterro de Shana, na cidade de Khan Yunes, a multidão, que contava com representantes políticos e de organizações defensoras dos direitos humanos, foi para o centro da cidade e parou uns minutos em frente ao edifício onde fica a sede da agência em Gaza.   Após a confirmação de que a morte do repórter tinha sido provocada realmente por um projétil israelense, o editor-chefe da Reuters David Schlesinger exigiu que as Forças Armadas de Israel abram uma investigação sobre o ocorrido. "A evidência mostrada pelos exames médicos demonstram a importância de uma investigação rápida, honrada e imparcial por parte das Forças de Segurança e do governo israelense", disse Schlesinger.   Um porta-voz do escritório de informação do Exército israelense disse à Agência Efe que lamenta a morte do câmera palestino, e ressaltou que "deve-se lembrar que se trata de uma zona na qual há combates todos os dias e organizações terroristas armadas, radicais e perigosas".

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