Hamas rechaça Conferência da Paz na véspera do encontro

Facção islâmica que controla Gaza assina documento que não reconhece existência do Estado de Israel

Agências internacionais,

26 de novembro de 2007 | 13h45

O movimento islâmico Hamas assinou nesta segunda-feira, 26, um documento no qual adverte contra qualquer concessão na cúpula de Annapolis, nos Estados Unidos, e que ainda prevê a instauração de um Estado palestino onde hoje estão localizados Israel, Gaza e Cisjordânia.  Veja também:EUA buscam acordo de pazEntenda a conferência de paz de Annapolis O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o premiê israelense, Ehud Olmert, manifestaram otimismo com as negociações e o chefe de governo americano declarou que este é o maior esforço diplomático de seu governo. Bush deve encontrar ainda nesta segunda o presidente palestino, Mahmoud Abbas, para tentar retomar o processo de paz do Oriente Médio ainda durante seu mandato, que termina daqui a 14 meses.  Intitulado "Documento para a Permanência dos Princípios e a Rejeição às Concessões na Conferência de Annapolis", o texto se baseia na carta constitutiva do Hamas, que reivindica o desmantelamento de Israel e a criação de um só Estado árabe no antigo protetorado britânico da Palestina. O texto do Hamas foi assinado pelos deputados da facção na sede local do Conselho Legislativo Palestino e lido por Ahmed Bahar, membro do movimento islâmico e ex-presidente da Câmara, dissolvida pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. "Nós, deputados do povo palestino e signatários deste documento, anunciamos que só o povo palestino exercerá o direito da autodeterminação como considerar procedente", afirmou Bahar ao término da cerimônia. Embora não tenha valor legal devido à dissolução do Parlamento palestino por Abbas e por ter sido assinado apenas pelos deputados do Hamas, o documento é um novo esforço do movimento islâmico de deslegitimar a conferência de paz. O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, uniu-se às críticas do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, à conferência de Annapolis ao considerar que o encontro "será um fracasso". Em discurso diante milhares de paramilitares iranianos do "Basij", Khamenei afirmou que a "América (EUA) tenta legalizar a entidade sionista (Israel) através da realização dessa conferência, mas sabe muito bem que fracassará". O líder do Irã expressou esta postura depois de Ahmadinejad lamentar em uma conversa telefônica com o soberano saudita, o rei Abdullah bin Abdul Aziz, a decisão da Arábia Saudita e de outros países árabes de participar da conferência. O Irã, considerado o principal apoio aos grupos radicais palestinos, assim como à milícia libanesa xiita do Hezbollah, não reconhece o Estado de Israel, não tem relações diplomáticas com os EUA e considera que esses dois países são seus principais inimigos. Tentativa de diálogo A criação de um Estado palestino em Jerusalém Oriental, Gaza e Cisjordânia que viva em paz com Israel é o objetivo do processo de negociação que deve ser iniciado na terça-feira em Annapolis. Abbas chega à conferência enfraquecido porque desde junho não tem mais controle sobre a Faixa de Gaza, agora sob comando do grupo islâmico Hamas, que não participa do evento nos EUA. Já Olmert está impopular devido a suspeitas de corrupção e do fracasso militar na guerra de 2006 no Líbano. Além disso, seus aliados de direita se opõem a concessões aos palestinos.  Síria e a Arábia Saudita prometeram participar da reunião de terça-feira em Annapolis - embora Damasco envie um vice-ministro, e não seu chanceler, como queriam os EUA. O governo do Iraque anunciou nesta segunda que desistiu de participar da reunião internacional, argumentando que há "vários motivos" para essa decisão.  Meios de comunicação locais mencionam as ressalvas de setores xiitas, em especial o de Moqtada Sadr. Consultado sobre o tema, o subsecretário das Relações Exteriores, Labid Abawi, disse que "a decisão é do governo e não se deve à influência de nenhum grupo político".  Cerca de 40 países, incluindo o Brasil, participam da conferência na Academia Naval de Annapolis. A delegação brasileira será chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

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