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Hamas tenta impor rigor islâmico aos trajes em Gaza

Regras restringem o cotidiano dos moradores; manequins de lojas não podem ser exibidos com pouca roupa

Associated Press,

29 de julho de 2009 | 10h37

A polícia deu ordens para que os vendedores de uma loja ocultassem os manequins exibidos na vitrine com pouca roupa. Um juiz determinou que as advogadas usassem o véu islâmico nas salas de audiência. Na praia, patrulhas dispersaram grupos de pessoas e ordenaram que os homens colocassem camisa. Tudo isto faz parte de uma nova campanha do Hamas para os moradores de Gaza seguirem um estilo de vida rigorosamente muçulmano.

 

As novas medidas mostram que o Hamas, depois de consolidar seu domínio sobre Gaza, sente-se agora com força para estender sua ideologia para a vida particular do cidadão. O grupo diz que a adesão à "campanha de virtude" é voluntária e apenas responde a uma preferência dos cidadãos pelos hábitos conservadores. As regras, porém, são vagas e há notícias de que supostos infratores foram espancados e professores foram intimados a pressionar as meninas a usar o véu islâmico.

 

A campanha é um retrato da diferença entre Cisjordânia e Gaza - duas partes do território palestino. Enquanto o Hamas impõe suas normas de conduta, Gaza continua pobre por causa do embargo internacional. Já a Cisjordânia desfruta de uma retomada econômica em razão da ajuda externa.

 

"Eles querem islamizar Gaza", disse Khalil Abu Shamala, ativista de direitos humanos. A "campanha da virtude" é difundida pelo Ministério de Assuntos Religiosos, que elaborou uma lista do que "pode" e do que "não pode" ser feito. A campanha também promove a separação de sexos em festas de casamento e pede que os adolescentes evitem música pop com letras muito sugestivas.

 

Para Hamdi Shakour, outro ativista de direitos humanos, a culpa é do bloqueio imposto por Israel e Egito depois que o Hamas expulsou o Fatah de Gaza. Shakour diz que o isolamento trouxe o "extremismo e ideias sombrias".

 

A polícia fiscaliza o cumprimento das restrições. Segundo os lojistas, os policiais arrancam as etiquetas dos pacotes de meias e sutiãs que trazem fotos de mulheres com roupas íntimas. Alguns comerciantes foram obrigados a remover as cabeças dos manequins para não violar a proibição islâmica de copiar a forma humana.

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