Hariri pede calma a libaneses após protestos do 'dia de fúria'

Premiê interino afirmou rejeitar todas as formas de violência e disse 'entender os sentimentos da população'

Reuters e AP,

25 de janeiro de 2011 | 10h23

BEIRUTE - Saad al-Hariri pede calma para seus partidários que tomaram as ruas do Líbano em um 'dia de fúria' após a nomeação do candidato do Hezbollah, Najib Mikati, como primeiro-ministro do país. Ele afirmou rejeitar todas as formas de violência.  "Meu chamado é por um chamado nacional. Vocês estão nervosos, mas são pessoas responsáveis. Eu entendo seus sentimentos", disse em um discurso televisionado. "Essa raiva não nos deve levar a ações que não estão de acordo com nosso valor e nossa crença de que nossa democracia é um refúgio", afirmou.

 

Centenas de seguidores do primeiro-ministro interino do Líbano, Saad al Hariri, fazem nesta terça-feira, 25, um protesto no norte do Líbano contra a nomeação de Najib Mikati, magnata das telecomunicações, apoiado pelo Hezbollah, para formar o novo governo, apoiado pela maioria dos legisladores libaneses. O atual ocupante do cargo afirmou que não participará de uma coalizão comandada pelo grupo islâmico xiita.     

 

  

Os partidários de Hariri convocaram um "dia de fúria" depois que o Hezbollah e seus aliados conseguiram apoio para a nomeação de Mikati. Hariri foi derrubado do cargo há duas semanas, quando o governo de união nacional perdeu o apoio do Hezbollah. O grupo ficou indignado com a possibilidade de partidários seus serem indiciados pelo tribunal internacional que investiga a morte do pai do premiê, Rafik al Hariri, assassinado em 2005.    

 

"O sangue sunita está fervendo", gritavam alguns manifestantes, queimando fotos de Mikati (que é sunita), e agitando as bandeiras azuis do Movimento Futuro, de Hariri, que promete não participar de nenhum governo que seja dominado pelo Hezbollah, um grupo xiita.  

 

Pelo sistema libanês de partilha de poderes, o primeiro-ministro do país é sempre sunita, e os seguidores de Hariri dizem que um político que aceitar uma indicação do Hezbollah para formar o novo governo deve ser considerado traidor.

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