Hezbollah acusa governo libanês de declarar guerra

O grupo libanês Hezbollah,apoiado pelo Irã, disse na quinta-feira que o atual governo doLíbano, aliado dos Estados Unidos, declarava uma guerra aoinvestir contra sua rede de comunicações. O Hezbollah lançou uma nova campanha de rua naquarta-feira, aumentando as pressões sobre o governo, após esteter declarado a rede de comunicações do grupo ilegal e terdemitido o chefe da segurança no principal aeroporto do país,uma autoridade próxima dessa organização. Simpatizantes do Hezbollah e seus aliados bloquearam ruasque levam ao aeroporto -- única ligação aérea do Líbano com omundo exterior -- e outras ruas importantes, paralisando grandeparte de Beirute (capital). No vale de Bekaa, na região leste do país, ocorreram algunstiroteios esporádicos entre simpatizantes do grupo e ativistaspró-governo, disseram membros dos serviços de segurança. Cincopessoas ficaram feridas. Conflitos semelhantes aconteceram na quarta-feira, emBeirute. Sayyed Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, disse que acrise só se resolveria se o governo voltasse atrás em suamanobra mais recente e participasse de negociações convocadaspara colocar fim a um conflito com a oposição liderada pelogrupo. Esse conflito iniciou-se há 17 meses. "Essa decisão é antes de tudo uma declaração de guerra esignifica o lançamento de uma guerra pelo governo contra aresistência e suas armas em benefício dos EUA e de Israel",disse Nasrallah, em uma entrevista coletiva, referindo-se àrecente manobra do governo. O líder do Hezbollah descreveu a rede de comunicações comouma parte vital da estrutura militar do grupo, que travou umaguerra de 34 dias contra Israel, em 2006. "Nossa rede de comunicações é uma parte fundamental dasarmas da resistência", afirmou Nasrallah, que concedeu aentrevista por meio de um aparelho de videoconferência. "Eu já disse que cortaremos a mão que se volta contra asarmas da resistência. Chegou o dia de cumprirmos essadeterminação." Os conflitos de rua ocorridos nesta semana agravaram a piorcrise interna surgida no Líbano desde a guerra civil travadaentre 1975 e 1990. E exacerbaram a tensão sectária entre ossunitas leais ao governo e os xiitas que apóiam a oposição. As Forças Armadas libanesas disseram que a situaçãoameaçava a sua unidade. "A continuidade dessa situaçãoprejudica a unidade do aparato militar", afirmaram as ForçasArmadas em um comunicado. A fragmentação da estrutura militar em 1976, dividindo-sesegundo linhas sectárias, representou um momento crucial dasubmissão do país a um regime de milícias. O Hezbollah vem acusando de ilegitimidade a atualadministração do país, liderada pelo primeiro-ministro FouadSiniora, desde que os ministros xiitas renunciaram a seuspostos em 2006 após ter sido rejeitada uma exigência do grupopara receber poder de veto sobre as decisões do governo. A crise paralisou grande parte da administração central eimpede que o Líbano eleja um presidente, cargo vago há cincomeses. (Reportagem adicional de Tom Perry e Laila Basam)

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