Hezbollah alerta EUA para consequências de filme sobre Maomé

O líder do Hezbollah, xeique Hassan Nasrallah, fez na segunda-feira uma rara aparição pública para dizer que os Estados Unidos vão enfrentar mais ódio e mais ataques no mundo islâmico se não proibirem a circulação de um filme ofensivo ao profeta Maomé.

LAILA BASSAM E ERIKA SOLOMON, Reuters

17 de setembro de 2012 | 17h47

"Eles (produtores do filme) caluniaram a pureza do seu nascimento, caluniaram sua fé e sua moral, caluniaram o Alcorão", disse Nasrallah a dezenas de milhares de simpatizantes durante um protesto contra o filme na zona sul de Beirute, área predominantemente xiita.

"A distribuição de todo esse filme deve ser proibida pelos norte-americanos", afirmou ele, sob ovação.

O filme, com aspecto semiamador, foi gravado na Califórnia e está tendo trechos difundidos nas últimas semanas pela internet sob vários nomes, inclusive "A Inocência dos Muçulmanos". Ele retrata Maomé como mulherengo, homossexual e abusador de crianças. Muitos muçulmanos consideram que qualquer representação do profeta é uma blasfêmia.

Desde terça-feira da semana passada, sedes diplomáticas dos EUA têm sido alvo de protestos em países islâmicos. No mais grave desses incidentes, o embaixador dos EUA na Líbia e três outros funcionários diplomáticos foram mortos na invasão do consulado norte-americano em Benghazi.

No comício do Hezbollah, havia faixas pedindo aos EUA que "não insultem nosso profeta".

"Chega de humilhação", gritava a multidão. A própria presença de Nasrallah deu mais dramaticidade ao protesto, já que, temendo ser assassinado, ele raramente aparece em público desde 2006, quando o Hezbollah travou uma guerra contra Israel.

"O mundo deve saber que a nossa raiva não será uma explosão passageira, e sim o começo de um movimento sério que irá continuar no nível da defesa do profeta de Deus pela nação muçulmana", declarou Nasrallah.

O objetivo maior, acrescentou, seria convencer a comunidade internacional a criminalizar insultos contra qualquer religião e seus profetas.

Ele alertou para o risco de distúrbios ainda piores caso o filme inteiro seja lançado - por enquanto, apenas um suposto trailer foi visto.

"(Os Estados Unidos da) América, que usa o pretexto da liberdade de expressão (...), precisa entender que lançar o filme todo terá gravíssimas consequências mundo afora", afirmou.

Os partidários do Hezbollah não se aproximaram da embaixada dos EUA em Beirute, e a passeata terminou de forma pacífica.

Alguns participantes se sentiam desafiados pela recusa dos EUA em censurar os vídeos. "É realmente possível que a América possa travar guerras no país inteiro e não consiga retirar um filme? A América certamente quer confusão", disse Ahmed Afif, 30 anos, enquanto seu filho pequeno, sobre seus ombros, agitava uma bandeira do Hezbollah.

O governo dos EUA qualificou o filme de "repreensível", mas disse que não pode restringir o direito constitucional à liberdade de expressão.

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