Hezbollah alerta Israel contra nova guerra

O líder do Hezbollah, xeque HassanNasrallah, alertou na terça-feira que Israel terá uma "grandesurpresa" caso trave outra guerra contra o grupo guerrilheirolibanês. Em alusão ao primeiro aniversário do fim do conflito entreambas as partes no sul do Líbano, Nasrallah disse que seu gruponão quer guerra, mas tem o dever de estar preparado, já que,segundo ele, Israel e EUA "tocam os tambores da guerra." "Se vocês pensam, sionistas, em lançar uma guerra contra oLíbano, não vou lhes prometer surpresas como as que aconteceram[na última guerra], em vez disso prometo-lhes uma grandesurpresa, que pode mudar o destino da guerra e o destino daregião", disse Nasrallah em discurso transmitido pela TV. O líder xiita disse que não revelaria sua localização. "Os sionistas e americanos estão tocando os tambores daguerra", disse ele no início do discurso, dirigindo-se adezenas de milhares de seguidores reunidos em Beirute paravê-lo num telão. "Se Deus quiser não haverá uma guerra. Como eu disse emdiscursos anteriores, não queremos guerra", afirmou Nasrallah,culpando Israel pelo último conflito, que matou cerca de 1.200pessoas no Líbano, a maioria civis, e 158 israelenses, quasetodos soldados. Aquela guerra começou em 12 de julho, quando o Hezbollahfez uma incursão no norte de Israel e capturou dois soldados. "Se, que Deus nos livre, uma guerra acontecer, precisamosestar prontos", disse Nasrallah, acrescentando que suadeclaração no mês passado de que o grupo tem foguetes capazesde atingir qualquer ponto de Israel tinha por objetivodissuadir o Estado judeu e não provocar um conflito. "A preparação para a guerra é o meio mais importante depreveni-la", afirmou o xeque. A multidão reunida na periferia sul de Beirute, alvo depesados bombardeios israelenses na guerra passada, agitavabandeiras do Hezbollah e de seu aliado, o movimento Amal,também xiita. Desde a guerra, o Hezbollah, o Amal e outros gruposlibaneses vivem uma disputa política contra o governo doprimeiro-ministro Fouad Siniora, que tem apoio dos EUA.Trata-se da pior crise política no Líbano desde a guerra civil(1975-90). Nasrallah disse que o Hezbollah apóia uma iniciativa dopresidente do Parlamento, Nabil Berri, do Amal, em busca doconsenso. Quase 1 milhão de libaneses fugiram das suas casas no anopassado devido à guerra. Estima-se que 125 mil casas eapartamentos tenham sido destruídos ou danificados no Líbano. O Hezbollah, que tem apoio da Síria e do Irã, já gastou 380milhões de dólares na reconstrução e na ajuda aos atingidospela guerra, segundo Nasrallah. Não houve um claro vencedor no conflito, mas o Hezbollahafirma ter tido uma "divina vitória".

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