Hezbollah confirma troca de prisioneiros com Israel

Líder do grupo xiita afirma que morte de soldados israelenses em poder do grupo são "especulações"

Agências internacionais,

02 de julho de 2008 | 12h29

O grupo xiita libanês Hezbollah concordou em trocar dois soldados israelenses que mantém em cativeiro por cinco prisioneiros libaneses em Israel, informou na manhã desta quarta-feira, 2, o líder do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah. Esta foi a primeira confirmação do Hezbollah sobre a troca, aprovada pelo gabinete do governo israelense no domingo.   O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, havia afirmou que os dois soldados, capturados durante uma incursão do Hezbollah em julho de 2006 que provocou uma guerra de um mês entre Israel e o grupo xiita, haviam morrido no cativeiro, mas o Hezbollah nunca confirmou isso. Nasrallah fez o anúncio em uma videoconferência com a imprensa na capital libanesa.   O secretário-geral do grupo xiita libanês disse que a troca de presos pode ser implementada dentro de algumas semanas, mas evitou dar datas concretas. "A única coisa que resta por fazer agora é fixar um calendário para a troca dos prisioneiros", afirmou Nasrallah. Nasrallah disse que reportagens publicadas no jornais israelenses que afirmavam que os soldados haviam morrido são "especulações, não baseadas em nada tangível."   Nasrallah destacou que a mediação para a troca foi feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, por meio de uma personalidade alemã designada por ele mesmo, e que não identificou. "As negociações foram prolongadas, duras e complexas, e às vezes tiveram que ser paralisadas durante um ou dois meses", lembrou Nasrallah, que disse que seu grupo fez-se representar no diálogo por uma equipe "de grande capacidade e com experiência em trocas anteriores".   Ele destacou que o "Líbano é o primeiro país árabe em conflito com Israel a conseguir fechar um acordo sobre o tema de seus presos" em território israelense. Além disso, Nasrallah assegurou que Israel aceitou entregar ao Hezbollah os restos mortais de cerca de 200 "mártires libaneses, palestinos e de outros países árabes".   Todos os prisioneiros libaneses que deverão ser libertados por Israel na troca estão vivos, incluído o que está há mais tempo detido, Samir Kantar, que cumpre várias sentenças consecutivas de prisão perpétua em Israel. Kantar se infiltrou no Norte de Israel em 1979 e matou três israelenses numa ação sangrenta - um homem, sua filha de 4 anos e um policial.   Informações sobre a inclusão de Kantar na troca provocaram uma forte oposição em Israel, por causa da horrenda natureza do crime - testemunhas afirmam que Katar primeiro matou o pai da menina, Danny Haran, na frente da criança, e em seguida esmigalhou o crânio da menina com a coronha do rifle - e sua libertação pode estabelecer um novo padrão a respeito do que Israel pode ceder para libertar seus soldados seqüestrados. Kantar nega ter esmigalhado o crânio da menina e diz que ela foi morta na troca de tiros com a polícia israelense.   Nasrallah disse que também providenciará um relatório detalhado sobre o piloto Ron Arad, que desapareceu no Líbano em 1986. Seu destino é desconhecido, embora Nasrallah tenha dito que chegou a "conclusões absolutas" sobre o que aconteceu com Arad após quatro anos de investigações.   Matéria atualizada às 15 horas.

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