Hezbollah diz que está preparado para guerra com Israel

Líder do grupo libanês incentiva retaliação ao Estado judeu após a morte de comandante em atentado

Associated Press e Reuters,

14 de fevereiro de 2008 | 11h46

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, acusou Israel de ter matado o comandante Imad Mughniyeh na Síria e prometeu atacar alvos judeus além das fronteiras libanesas. Durante o funeral, Nasrallah alertou que o grupo está pronto para uma "guerra aberta" com Israel, caso o Estado judaico assim o queira.    Filho de ex-premiê pede reconciliação entre partidos no Líbano Israel teme resposta do Hezbollah após morte de líder Multidões de libaneses se dirigiam para duas manifestações opostas em Beirute - muçulmanos xiitas partidários do Hezbollah dando adeus ao comandante assassinado Imad Moughniyeh, e seus opositores pró-Ocidente marcando o aniversário do assassinato em 2005 do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri.   O Hezbollah convocou seus seguidores para seu bastião no sul de Beirute para acompanharem o caixão de Imad Moughniyeh, ex-chefe de segurança do grupo islâmico e um dos homens mais procurados pelos Estados Unidos, morto num atentado com carro-bomba na Síria na noite de terça-feira.   "Vocês mataram Hajj Imad fora do campo de batalha natural", disse o xeque Nasrallah, dirigindo-se a Israel e referindo-se à antiga proclamação do Hezbollah de que combate o Estado judeu apenas dentro do Líbano e ao longo da fronteira comum. "Vocês ultrapassaram os limites," disse Nasrallah, discursando para uma multidão no funeral de Mughniyeh no sul de Beirute. "Com esse assassinato, seu momento, localização e método - sionistas, se vocês querem esse tipo de guerra aberta, que o mundo inteiro ouça: que essa guerra seja aberta".   "Como todos seres humanos, temos o direito sagrado de nos defender", afirmou Nasrallah, numa mensagem gravada mostrada num grande telão numa cerimônia no bastião do Hezbollah. "Vamos fazer tudo que precisar para defender nosso país e nosso povo".   O grupo convocou seus partidários a "carregarem em seus ombros um líder cuja liderança nos orgulhava, e um mártir cujo martírio será honrado". Um comunicado divulgado na tevê Am-Manar, do grupo, advertia: "Façamos nossa voz ser ouvida por nossos inimigos e assassinos que seremos vitoriosos, não importando quais sejam os sacrifícios". O ministro do Exterior do Irã, Manouchehr Mottaki, participou da manifestação e expressou condolências aos militantes do Hezbollah.   Israel nega participação na morte de Moughniyeh, mas autoridades não esconderam sua aprovação ao ataque. Os Estados Unidos disseram que recebiam com satisfação a notícia da morte do comandante. De qualquer forma, Israel orientou suas embaixadas e instituições judaicas em todo o mundo para ficarem em alerta contra possíveis ataques.  

Mais conteúdo sobre:
HezbollahIsraelLíbano

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.