Hezbollah está por trás da morte de Hariri, diz CBS

BEIRUTE (Reuters) -Investigações apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) descobriram que membros da guerrilha do Hezbollah estão por trás do assassinato do primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em 2005, informou a TV norte-americana CBS, citando como fontes pessoas que participaram do inquérito e documentos.

REUTERS

22 de novembro de 2010 | 13h19

A emissora disse que provas recolhidas pela polícia libanesa e, posteriormente, por investigadores apoiados pela ONU "apontam esmagadoramente para o fato de que os assassinos eram do Hezbollah".

O Hezbollah integra a coalizão de governo do Líbano e negou em várias ocasiões envolvimento na morte de Hariri, cujo filho, Saad, é o atual primeiro-ministro do Líbano.

O líder do grupo, Sayyed Hassan Nasrallah, disse este mês que não permitirá que nenhum dos membros do Hezbollah sejam presos. Nesta segunda-feira o grupo informou não ter nenhum comentário a fazer sobre a notícia da CBC News. Investigadores da ONU não foram localizados para falar do assunto.

O Hezbollah e diplomatas ocidentais dizem que no fim deste ano ou começo do próximo membros do grupo poderão ser indiciados.

Políticos libaneses temem uma crise e a possível irrupção de violência, se isso acontecer.

A CBC News informou no domingo ter obtido número de telefones celulares e outras evidências relacionadas a telecomunicação, que estão no centro da investigação

Segundo a emissora, os investigadores pediram em 2007 que uma empresa britânica analisasse os telefonemas feitos no Líbano em 2005.

"O que os analistas britânicos mostraram (para os investigadores da ONU) foi nada menos do que o esquadrão de ataque que perpetrou o assassinato, ou pelo menos os telefones que eles levavam no momento", disse a CBS News.

O Líbano acusou dois empregados da empresa estatal de telefonia celular Alfa de espionar para Israel nos últimos meses. Eles foram detidos como parte de uma ampla investigação de espionagem que resultou em mais de 50 prisões desde abril do ano passado.

As detenções deram início a um debate sobre o quanto Israel havia infiltrado agentes nos setores de segurança e telecomunicação do Líbano.

O Hezbollah sugeriu que Israel pode ter usado agentes para manipular provas, tais como registro de ligações telefônicas, para implicar o grupo no assassinato de Hariri.

O Hezbollah acusa o tribunal de ser instrumento de Israel e diz que seus investigadores estavam passando informações para Israel.

No início, a investigação implicou autoridades sírias e libanesas no assassinato, mas depois recuou e não apresentou detalhes sobre essas descobertas.

Saad Hariri havia acusado a Síria pelo assassinato do pai. No entanto, depois disse que estava errado em implicar a Síria e que sua declaração tinha sido politicamente motivada.

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