Hezbollah lidera onda de violência durante greve no Líbano

Seguidores do partido xiita e opositores bloqueiam Beiture, aproveitando paralisação trabalhista por salários

Agências internacionais,

07 de maio de 2008 | 08h57

Explosões e troca de tiros na capital do Líbano, Beirute, marcaram a greve geral convocada por sindicatos trabalhistas para exigir melhores salários. Manifestantes pró-Hezbollah tentaram, por meio da violência, forçar a adesão da paralisação contra o governo apoiado pelos Estados Unidos.   Segundo a BBC, várias estradas no país e ruas da capital Beirute foram bloqueadas com blocos de concreto, montes de terra ou carros, impedindo o tráfego de veículos. Militantes também queimaram pneus em alguns pontos da capital e interior do país. Tropas do Exército e forças de segurança foram posicionadas em alerta máximo, com prédios do governo cercados com tanques e tropas, e o acesso vetado a veículos.   Atiradores da oposição assumiram o controle de dois escritórios do grupo político Futuro, de Saad al-Hariri, líder da coalizão governista e mais influente político sunita do Líbano. Jovens leais aos adversários trocaram pedradas em Mazraa, um dos bairros onde há forte tensão entre sunitas e xiitas. O Exército, que em geral se mantém neutro na crise, fez disparos para o alto para dispersar o tumulto, mas não tentou remover as barricadas nas ruas, muitas das quais feitas com blocos de concreto.   Militantes também bloquearam a estrada que leva ao aeroporto de Beirute, levando ao cancelamento de 32 vôos. O porto também foi afetado, com a avenida de acesso bloqueada com pneus queimados. Embora os protestos tenham sido anunciados como pacíficos por sindicalistas e líderes da oposição, houve incidentes registrados desde cedo, com vitrines de lojas destruídas em algumas ruas. Homens mascarados jogaram uma granada contra soldados do Exército, deixando dois militares e duas pessoas feridas.   "O que vemos hoje é uma tentativa de entrincheiramento do mini-Estado do Hezbollah", disse o ministro Marwan Hamadeh à rádio Voz do Líbano. Para ele, "não é o bloqueio temporário de estradas que vai determinar o futuro do Líbano. O Líbano disse que não vai se tornar um satélite iraniano", disse ele à Reuters.   A greve tinha sido anunciada havia várias semanas, mas ganhou força depois que o general cristão Michel Aoun, aliado do Hezbollah, conclamou a oposição para aderir ao movimento e exigir a renúncia do primeiro-ministro Fouad Siniora. O Líbano vive uma crise política há mais de um ano e está sem presidente desde novembro do ano passado. As facções políticas não conseguem chegar a um acordo para eleger um novo mandatário do país, aumentando o medo de um confronto entre facções rivais, o que poderia levar a uma guerra civil.   No início da semana, o comando das forças de segurança libanesas anunciou que montaria uma grande operação para assegurar que os protestos não se transformassem em violência, mantendo a lei e a ordem civil. Em janeiro do ano passado, protestos semelhantes levaram à morte de seis pessoas, com dezenas de feridos, como resultado de confrontos entre militantes dos dois lados políticos.   De acordo com o Hezbollah e outras lideranças, os protestos não têm data definida para terminar, podendo paralisar ao país e a economia como forma de derrubar o governo. Os protestos da oposição são vistos como uma nova tentativa de derrubar o governo, bloqueando a economia do país. No final de 2006, manifestantes montaram um acampamentos em volta do prédio do governo para exigir a renúncia de Siniora. O acampamento continua até hoje e paralisou o centro de Beirute, mas sem conseguir, no entanto, seu objetivo.   De acordo com o Hezbollah e outras lideranças, os protestos não têm data definida para terminar, podendo paralisar ao país e a economia como forma de derrubar o governo. Os protestos da oposição são vistos como uma nova tentativa de derrubar o governo, bloqueando a economia do país. No final de 2006, manifestantes montaram um acampamentos em volta do prédio do governo para exigir a renúncia de Siniora. O acampamento continua até hoje e paralisou o centro de Beirute, mas sem conseguir, no entanto, seu objetivo.   Segundo analistas, com a economia cada vez pior e as classes mais baixas mais descontentes, a oposição ganhou novo impulso para tentar derrubar o governo. Há o temor de que os protestos levem os blocos governistas e oposição a um rota de colisão, já que as demonstrações serão realizadas em bairros onde o governo tem forte apoio popular e base partidária.   Há duas semanas, a pressão sobre o Hezbollah aumentou devido a acusações do governo de que estaria monitorando o aeroporto com câmeras de vigilância. O governo retirou do posto o chefe de segurança do aeroporto, acusado de ter ligações com o grupo xiita. Políticos governistas também acusaram o Hezbollah de ter uma rede privada de telecomunicações que estaria sendo usada pelas forças de inteligência sírias.  O Hezbollah confirmou que teria tal rede, mas disse que seria parte de sua estrutura de "segurança" e que não toleraria interferências do governo na sua rede de comunicações.   O Hezbollah é a única facção libanesa autorizada a manter suas armas depois da guerra civil contra as forças israelenses no sul. Israel retirou-se em 2006 e o destino das armas do Hezbollah é o ponto central da crise. O Conselho de Segurança das Nações Unidas proibiu que o grupo se rearmasse e se reestruturasse militarmente no sul do Líbano.   (Com BBC Brasil e Reuters)

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