Hezbollah pede que libaneses boicotem investigação sobre morte de Hariri

Segundo líder do movimento xiita, investigadores internacionais são informantes de Israel

Reuters e AP,

28 de outubro de 2010 | 18h49

BEIRUTE- O líder do movimento islâmico Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, pediu nesta quinta-feira, 28, para que todos os libaneses boicotem a investigação internacional sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri. Narallah também acusou os responsáveis pelo inquérito de enviar informação a Israel.

 

"Peço a todos os funcionários libaneses e a todos os cidadãos que boicotem esses investigadores e não cooperem com eles", disse em um vídeo. "Toda a informação, dados e direções (que obtêm) são enviados a Israel".

 

Os comentários de Nasrallah foram feitos um dia após investigadores internacionais terem sido expulsos de uma clínica médica no subúrbio do sul de Beirute, o bastião do Hezbollah, onde estavam buscando arquivos médicos que segundo o líder xiita, pertenciam a mulheres do grupo.

 

Nasrallah não comentou a violência na clínica na clínica, mas confirmou que mulheres e parentes de membros de comandantes e oficiais do Hezbollah estavam entre os pacientes do local.

 

O tribunal da ONU ainda não acusou nenhum suspeito, mas especulações de que a corte pode chamar integrantes do Hezbollah para depor aumentou temores de que haja violência entre o movimento xiita armado e os aliados sunitas de Hariri.

 

Rafik Hariri, cinco vezes primeiro-ministro do Líbano e pai do atual premiê, Saad Hariri, foi assassinado em um atentado com carro-bomba em Beirute, no qual morreram outras 22 pessoas em 2005.

 

Hariri, um executivo milionário apontado como responsável pela reconstrução do Líbano após 15 anos de guerra civil, estava tentando limitar a dominação Síria no seu país antes de ser morto. Damasco nega qualquer envolvimento no assassinato, mas teve de retirar suas tropas do país vizinho após protestos contra sírios gerados pela morte do ex-premiê.

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