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Hillary aumenta pressão contra assentamentos na Cisjordânia

Secretária de Estado diz que Obama 'foi claro' com Bibi; EUA estão 'comprometidos com solução de dois Estados'

Gustavo Chacra, correspondente de O Estado de S. Paulo,

19 de maio de 2009 | 19h43

Os Estados Unidos intensificaram nesta terça-feira, 19, a pressão para que os israelenses suspendam a construção de assentamentos na Cisjordânia, no terceiro dia da visita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que hoje voltou a dizer que Israel está disposto a retomar as negociações de paz com os palestinos imediatamente. "O presidente foi bem claro ontem no seu discurso ao dizer que ele pretende ver a interrupção dos assentamentos", disse a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, referindo-se à posição expressada na segunda-feira pelo presidente dos EUA, Barack Obama, depois de receber Netanyahu na Casa Branca.

 

Hillary acrescentou que os americanos estão "comprometidos com uma solução de dois Estados". O democrata John Kerry, que lidera o Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, insistiu, em encontro com Netanyahu, na questão dos assentamentos. "Eu enfatizei para o primeiro-ministro a importância de Israel avançar, especialmente no que diz respeito à questão dos assentamentos", afirmou.

 

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O primeiro-ministro israelense disse que ele e Obama estão trabalhando "juntos para reiniciar o processo de paz e procurando maneiras de incluir o restante do mundo árabe" nas negociações. Netanyahu não entrou em detalhes sobre a questão dos assentamentos. Nahum Barnea, comentarista político do jornal israelense Yediot Ahronot, escreveu que "todas as administrações americanas eram insatisfeitas com Israel" sobre a questão dos assentamentos. "A diferença da administração de Obama é que ela considera isso um problema real", segundo Barnea.

 

Já o analista político Aaron Klein, baseado em Jerusalém e próximo ao primeiro-ministro israelense, disse ao Grupo Estado que Netanyahu não diverge tanto dos americanos na questão palestina. "A principal diferença se dá em relação à ameaça iraniana", disse o autor do livro The Late Great State of Israel (O Falecido Grande Estado de Israel).

 

Na avaliação dele, os israelenses esperarão até o fim do ano por uma iniciativa de Obama que possa convencer o Irã a desistir de seu programa nuclear. "Depois disso, Israel agirá de forma independente", disse. Antes do encontro, Israel deixava claro que a prioridade no momento era a ameaça iraniana. Mas Netanyahu disse nesta terça que Israel "pretende seguir o caminho da paz independentemente do que ocorrer no Irã. Na verdade, (as negociações) devem ser feitas paralelamente."

 

ATAQUES

 

Nesta segunda, Israel bombardeou o sul da Faixa de Gaza depois que um foguete lançado a partir do território palestino atingiu o jardim de uma casa no lado israelense. Não houve vítimas na ação de Israel, que aparentemente alvejou túneis usados para contrabandear armas do Egito.

 

O lançamento de foguetes foi um dos motivos para a ofensiva militar de Israel contra o Hamas em Gaza no início do ano. O disparo desta segunda teria sido feito por um grupo independente.

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