Hillary pressiona Israel a fazer mais por diálogos de paz

Secretária de Estado dos EUA critica política sobre assentamentos e rejeita acusações palestinas

Reuters,

02 Novembro 2009 | 16h28

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse nesta segunda-feira, 2, que Israel precisa fazer mais para colocar em andamento o diálogo de paz com os palestinos, rejeitando acusações árabes de que teria cedido a Israel em relação aos assentamentos.

Hillary, que se reúne com chanceleres de países árabes em Marrocos, provavelmente vai ouvir que eles estão decepcionados porque ela não exerceu mais pressão pelo congelamento da ampliação dos assentamentos quando esteve com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na semana passada.

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que também está em Marrocos, disse que teme que a campanha do presidente dos EUA, Barack Obama, para reiniciar as conversações de paz israelo-palestinas possa estar fadada a fracassar devido à questão dos assentamentos.

"Os israelenses reagiram ao chamado dos EUA, dos palestinos e do mundo árabe para congelarem a atividade nos assentamentos, expressando uma disposição em restringir a atividade", disse Hillary a jornalistas. "A oferta deixa muito a desejar em relação ao que seria nossa preferência, mas, se for concretizada, será uma restrição sem precedentes nos assentamentos e terá um efeito significativo na limitação do crescimento deles", completou a secretária de Estado. 

A secretária elogiou o presidente palestino, Mahmoud Abbas, pelos "passos positivos" que está dando em direção às conversações, incluindo melhorar a segurança na Cisjordânia, e disse que Israel deveria fazer a recíproca. "Quando qualquer uma das partes dá um passo que parece estar indo no rumo certo, mesmo que não seja o que eu gostaria ou preferiria, vou reforçar isso positivamente", disse Clinton.

Hillary foi ao Marrocos para começar a sondar autoridades árabes, após um encontro com Netanyahu em Jerusalém no qual endossou a visão de Israel de que a ampliação dos assentamentos na Cisjordânia não deve constituir-se em obstáculo à retomada das negociações.

O chefe da Liga Árabe disse que os países árabes compartilham a posição palestina, segundo a qual retomar negociações seria inútil sem um congelamento da ampliação dos assentamentos. "Todos nós, incluindo a Arábia Saudita e o Egito, estamos profundamente desapontados com os resultados, com o fato de que Israel consegue se safar com qualquer coisa. Sem uma posição firme, isto não poderá ser feito", disse Moussa a jornalistas.

O líder palestino Abbas enfrenta pressão interna intensa dos islâmicos do Hamas que controlam a Faixa de Gaza, e qualquer concessão em relação aos assentamentos o prejudicaria politicamente nas eleições palestinas que ele marcou para 24 de janeiro. O Hamas rejeitou a eleição.

Cerca de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia e em Jerusalém oriental, ao lado de 2,8 milhões de palestinos. Israel capturou os territórios em uma guerra em 1967 contra seus vizinhos árabes. Os palestinos dizem que os assentamentos israelenses lhes negam a possibilidade de um Estado viável.

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