Allauddin Khan/AP
Allauddin Khan/AP

Homem-bomba mata pelo menos 40 em casamento no Afeganistão

Pelo menos 77 ficaram feridos no incidente, que ocorreu na cidade de Kandahar, no sul do país

Reuters

10 de junho de 2010 | 09h44

KANDAHAR - Pelo menos 40 pessoas morreram e 77 ficaram feridas num atentado suicida numa festa de casamento no sul do Afeganistão, disseram autoridades na quinta-feira, 10.

"Um homem-bomba entrou na festa onde centenas de pessoas estavam e se explodiu", disse um policial. O incidente ocorreu por volta de 21h30 de quarta-feira (14 horas em Brasília), no distrito de Arghandab, ao norte de Kandahar, onde tropas estrangeiras preparam para os próximos meses uma ofensiva contra o Taleban.

Um policial disse que muitos convidados da festa tinham ligação com a polícia ou com uma milícia local, suposta razão do ataque. O Taliban negou a autoria da explosão.

"Condenamos esse ato brutal", disse Qari Yousuf Ahmadi, porta-voz do grupo islâmico, falando de local não revelado. "O Taleban trava a jihad (guerra santa) a fim de libertar as pessoas das mãos dos ocupantes. Como podemos matá-las?", questionou. Em ocasiões anteriores, o Taleban assumiu a autoria de ataques dos quais depois recuou quando ficou clara a ocorrência de vítimas civis.

Ahmadi culpou a Isaf (força internacional sob comando da Otan), que já matou centenas de civis em bombardeios equivocados. Os ataques do Taliban mataram ainda mais civis. Uma porta-voz militar disse que a Isaf não teve envolvimento no incidente, e chegou mesmo a ajudar as forças locais depois do ataque. "Esta é uma questão afegã", disse ela.

Em nota, o presidente Hamid Karzai, que obteve na semana passada o aval de uma conferência de paz tribal para negociar com o Taliban, deplorou o atentado, "obra dessa gente cruel que age contra os valores islâmicos e divinos".

Testemunhas descreveram cenas caóticas no casamento, onde havia cerca de 400 convidados. "Algumas pessoas estavam esperando a comida, outras estavam dançando dentro de uma grande tenda, quando ouvi uma explosão ensurdecedora", disse Aminullah, que saiu ferido. "A poeira subiu ao céu e vi cadáveres por todo lado. Mulheres e crianças gritavam. Achei que era o fim do mundo", disse. 

Citando informes hospitalares, o governador de Qandahar, Tooryalai Wisa, disse que bolas metálicas usadas em rolamentos foram colocadas em meio aos explosivos, para gerar estilhaços, o que é uma prática comum em atentados suicidas. O Ministério do Interior disse em nota que há crianças entre os mortos.

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