Hotel é demolido em Jerusalém para construção de assentamentos

Escavadoras israelenses abriram caminho para a construção de 20 novas casas para judeus em Jerusalém Oriental ao demolir um hotel abandonado neste domingo, como parte de um projeto de assentamento que causou revolta em palestinos e ganhou objeção por parte dos Estados Unidos.

JEFFREY HELLER, REUTERS

09 de janeiro de 2011 | 13h03

A construção no complexo do hotel Shepherd, cuja propriedade foi contestada, deve aprofundar os problemas na relação entre israelenses e palestinos, enquanto Washington tenta ressuscitar as negociações de paz. As conversas estão paralisadas devido à política de assentamentos de Israel na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, regiões capturadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

"O que está acontecendo hoje é parte de um programa político do governo de Israel para se apropriar antecipadamente a qualquer solução em Jerusalém", afirmou o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, em comunicado.

Com as negociações diretas entre os dois lados em um impasse, Israel afirmou que um emissário do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e um enviado palestino viajariam para Washington nos próximos dias para tentar restaurar as negociações.

Mas Erekat disse que "os encontros, se ocorrerem, serão feitos de forma separada com o governo norte-americano: palestino-americano, israelo-americano".

Ele acusou Netanyahu de realizar uma "campanha de relações públicas" sobre o processo de paz enquanto "rapidamente age para impedir o estabelecimento da soberania de um Estado palestino".

O premiê israelense exortou os palestinos para retornar às negociações diretas.

No bairro predominantemente árabe de Xeique Jarrah, escavadoras derrubaram o hotel, construído na década de 1930 para o muçulmano Haj Amin Husseini, que lutou contra os britânicos e os sionistas e se tornou aliado de Adolf Hitler na 2a Guerra Mundial.

Um projeto para substituir a construção por um bloco de 20 apartamentos foi aprovado pela prefeitura israelense de Jerusalém em 2009. Autoridades judaicas disseram que Washington demonstrou sua oposição ao projeto ao embaixador israelense nos EUA.

Netanhyahu respondeu na época dizendo que os judeus têm o direito de viver onde bem entenderem em Jerusalém, uma cidade que Israel reivindica como uma capital unificada, uma designação que não ganhou aceitação internacional.

Após a demolição em Xeique Jarrah, não houve relatos de violência. Por causa dessa localidade, ocorreram protestos árabes contra a expulsão de palestinos de casas que tribunais israelenses decidiram como tendo sido compradas por judeus no passado.

O hotel foi declarado uma "propriedade ausente" por Israel depois de judeus terem capturado Jerusalém Oriental. A escritura foi transferida para uma empresa de Israel, que a vendeu em 1985 para Irving Moskowitz, dono de bingos da Flórida e patrono de colonos judeus.

Adnan Husseini, prefeito de Jerusalém apontado pela Autoridade Palestina, afirmou que derrubar a histórica construção foi um "ato de barbárie". Sua família reivindica a propriedade do imóvel e tem usado tribunais israelenses para desafiar os passos que levaram à venda do local.

Cerca de 190 mil israelenses vivem em Jerusalém Oriental e em regiões adjacentes da Cisjordânia, que Israel capturou após o conflito em 1967. A região tem 250 mil habitantes palestinos.

(Reportagem adicional de Ali Sawafta e Tom Perry em Ramallah)

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