HRW pressiona Irã a libertar líderes de minoria religiosa

Sete bahais foram condenados a 20 anos de prisão por espionagem e propaganda contra o Estado

Efe,

10 de agosto de 2010 | 18h20

NOVA YORK- A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) pediu nesta terça-feira, 10, que o Judiciário do Irã "liberte de forma imediata" sete líderes da minoria religiosa bahai que estão detidos desde 2008 e foram julgados em junho.

 

Em um comunicado, a HRW denunciou que o julgamento no qual os religiosos foram condenados a 20 anos de prisão pelos crimes de espionagem e propaganda contra o Estado foi "injusto", já que nunca foram apresentavas provas para as acusações.

 

"Durante mais de dois anos as autoridades iranianas não apresentaram nem uma só prova que fundamente a detenção desses sete líderes bahais", disse o responsável para o Oriente Médio da HRW no texto.

 

As forças de segurança iraniana prenderam os sete membros da comunidade bahai de Teerã e Mashhad (nordeste do Irã) em maio de 2008. Desde então, o grupo ficou retido na prisão de Evin, na capital iraniana, durante 20 meses, sem saber de quais crimes estavam sendo acusados.

 

Finalmente, em um processo a portas fechadas, os presos foram condenados em junho a 20 anos de prisão por espionagem e propaganda contra o regime iraniano.

 

Segundo a HRW, os sete religiosos ficaram incomunicáveis, sem falar com seus advogados nem familiares, enquanto aguardavam seu julgamento.

 

A religião Bahai, considerada uma heresia pelos muçulmanos, foi fundada no século XIX por um clérigo xiita iraniano, e atualmente é seguida por cerca de seis milhões de pessoas em mais de 200 países, segundo cifras do próprio grupo.

 

Ela é uma religião sincrética, cujos fiéis seguem os ensinamentos do profeta Baha'u'llah e consideram otros líderes religiosos como Moisés, Krishna, Buda, Jesus Cristo, Maomé ou El Bab como mensageiros de Deus, cujos ensinamentos integraram a sua própria fé.

 

No Irã, vivem atualmente 300 mil bahais, que denunciam perseguição religiosa, prisões e execuções por parte do regime, acusação negada pelas autoridades.

 

A prática do bahaísmo foi proibida no Irã desde a Revolução Iraniana de 1979.

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