Youssef Badawi/ EFE/EPA
Youssef Badawi/ EFE/EPA

Ignorada, ONU teme que ataques saiam do controle e Síria vire campo de batalha de potências

Entidade e governos como o da China questionam legalidade das ações fora do Conselho de Segurança

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2018 | 11h11

GENEBRA - A ONU está alarmada com a possibilidade de que os ataques de americanos, franceses e britânicos na Síria saiam de controle e que uma resposta dura de Rússia e Irã acabe incendiando a região. Para o presidente Vladimir Putin, o ataque foi um “ato de agressão”, deixando claro nos círculos internos da ONU de que consideraria a iniciativa como uma violação das regras internacionais e com repercussões militares.  

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Imediatamente após os ataques, um dos membros permanentes do Conselho de Segurança, a China, acusou o Ocidente de ter violado as regras da ONU ao lançar um ataque sem autorização do Conselho de Segurança. 

Nos bastidores, a ONU teme que o ataque, ainda que tenha sido focado, possa abrir uma caixa de Pandora no Oriente Médio, acionando diferentes alianças e obrigando grupos específicos a dar respostas locais para reforçar seus controles em diferentes regiões. O resultado, segundo pessoas próximas à cúpula da ONU, seria a transformação do território sírio em um terreno de combate entre as potências, com um impacto para além de suas fronteiras. 

Turquia, Líbano e mesmo partes do Iraque, na avaliação de diplomatas, poderiam ser “engolidos” em uma nova lógica. Em Israel, o governo deixou claro que apoiava a ação, algo que também contou com o apoio explícito do secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg. “O uso de armas químicas é inaceitável”, disse  

Oficialmente, o secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou para que os países demonstrem “moderação diante de uma situação perigosa” e evitem ações que possam elevar as tensões na Síria. “Eu peço a todos os Países Membros que demonstrem moderação nessas perigosas circunstâncias e evitem ações que levem à escalada da situação e piore o sofrimento do povo sírio”, disse. 

Mas é a falta de consenso no Conselho de Segurança da ONU sobre como agir na Síria e o fato de o Ocidente ter ignorado as regras da entidade que, segundo os negociadores, abririam brechas  para uma guerra de proporções ainda maiores. 

“Expresso o meu profundo desapontamento pelas falhas do Conselho de Segurança em concordar com a criação de um mecanismo para investigar o uso de armas químicas na Síria”, disse o português.Nos últimos dias, o Conselho realizou diversas reuniões que não atingiram consenso sobre investigações na região e ainda levaram Guterres a alertar que o mundo estaria vivendo “uma nova guerra fria”. 

Horas depois dos ataques, o governo russo solicitou uma reunião de emergência do Conselho, em Nova Iorque ainda neste sábado. Mas o gesto foi interpretado apenas como uma forma de colocar pressão sobre os ocidentais e denunciar o ato unilateral da coalizão. 

O Estado apurou ainda que existe o temor de que a aliança ocidental ou mesmo russos possam realizar operações que acabem gerando danos colaterais nas forças armadas de potências militares, levando o outro lado a ser obrigado a responder. “Isso seria um passo para uma guerra generalizada, com um impacto imprevisível”, disse uma fonte próxima a Guterres. 

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