Importante negociador de paz afegão é morto a tiros em Cabul

Homens armados atiraram em um dos mais importantes negociadores de paz afegão na capital Cabul, no domingo, segundo a polícia, desferindo outro golpe nas tentativas do país de negociar um acordo de paz com o Taliban.

HAMID SHALIZI, REUTERS

13 Maio 2012 | 12h27

Maulvi Arsala Rahmani era um dos membros mais antigos do Alto Conselho de Paz do Afeganistão, criado pelo presidente Hamid Karzai há dois anos para entrar em contato com os insurgentes.

"Ele (Rahmani) estava preso no trânsito quando um carro ao lado abriu fogo", disse o general Mohammad Zahir, chefe da unidade de investigações da polícia de Cabul.

O Taliban negou envolvimento com a morte de Rahmani, um desertor do grupo, mas com fortes laços com o movimento. "Outros estão envolvidos nisso", seu porta-voz Zabihullah Mujahid disse.

Rahmani estava a caminho de uma reunião com os legisladores e outros funcionários em um centro de mídia estatal, no centro diplomático de Cabul fortemente protegido, quando ele foi morto a tiros.

"O motorista não percebeu imediatamente que Rahmani tinha sido morto", o oficial de polícia Zahir disse à Reuters, acrescentando que ninguém havia sido preso em conexão com o tiroteio.

O Taliban disse que sua morte não altera as negociações de paz. "Nós não acreditamos que é um grande golpe para os esforços de paz, porque o Conselho de Paz não tem conseguido nada", afirmou Mujahid à Reuters.

O Alto Conselho de Paz, composto por 70 membros, parece ter feito pouco progresso nas negociações com o Taliban para acabar com a guerra, agora em seu décimo primeiro ano.

Qualquer progresso foi severamente interrompido quando o seu chefe, o ex-presidente afegão Barhanuddin Rabbani, foi assassinado por um homem-bomba no ano passado. Ele foi então substituído por seu filho Salahuddin.

Rahmani disse à Reuters no início do ano estar otimista com as negociações de paz secretas com a organização, que teriam uma boa chance de sucesso, e que os talibans estavam prontos para moderar as suas posições fundamentalistas.

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