Inauguração de usina provará comprometimento do Irã, diz Rússia

Chefe de órgão nuclear russo classifica início das atividades do complexo como 'histórico'

Associated Press

19 de agosto de 2010 | 12h11

MOSCOU - O chefe do órgão nuclear da Rússia disse nesta quinta-feira, 19, que o início das atividades da primeira usina nuclear do Irã demonstrará que o país persa está comprometido com o uso de energia atômica para fins pacíficos sob a supervisão internacional.

 

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Sergei Kiriyenko disse durante uma reunião com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, que o combustível nuclear para o funcionamento da usina será inserido no reator no sábado. "Isso marca o começo das atividades da usina", disse ele. As autoridades iranianas disseram que poderia levar até um mês para a eletricidade chegar à cidades próximas de Bushehr, onde está o complexo.

 

Kiriyenko disse a Putin que a inauguração da usina, "um evento histórico", mostraria que a Rússia respeita suas obrigações internacionais. "Provamos que sempre cumprimos nossas obrigações", completando que a Rússia crê que todo país, inclusive o Irã, tem o direito de usar energia nuclear se aceitar os controles e normas internacionais.

 

A Rússia alega que o projeto de Bushehr é essencial para fazer com que o Irã coopere com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e mantenha seu programa nuclear de acordo com os padrões internacionais de não-proliferação.

 

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

 

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirrou no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AEIA - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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