Indústria dos exércitos privados é a que mais cresce no mundo

Matéria do jornal britânico The Independent aponta que setor movimenta mais de US$ 120 bilhões

BBC Brasil, BBC

21 de setembro de 2007 | 12h08

A reportagem de capa desta sexta-feira, 21, do diário britânico The Independent afirma que os exércitos privados se tornaram "a indústria que mais cresce no mundo".Empresas como Blackwater, Halliburton, DynCopr, ArmorGroup e Control Risks encabeçam um setor que atua em mais de 50 países, girando por ano mais de US$ 120 bilhões (cerca de R$ 240 bilhões), afirma o jornal.A 'vantagem' dos exércitos privados - que rejeitam o termo 'mercenários', e preferem o eufemismo de 'forças de segurança privada', diz o jornal - é que eles estão expostos a menos fiscalização por parte das instituições de cada país."Na Nigéria, comandos corporativos trocam tiros com rebeldes que atacam uma plataforma de petróleo. No Afeganistão, guarda-costas ajudam a desbaratar outra tentativa de assassinar o presidente Hamid Karzai. Na Colômbia, um piloto terceirizado é alvejado por guerrilheiros quando borrifa plantações com pesticidas. Na fronteira entre o Iraque e o Irã, helicópteros Apache privados transportam forças especiais dos EUA para uma operação secreta. Estes são apenas flashes do mundo das companhias militares privadas", diz o Independent.De acordo com a reportagem, os exércitos privados viveram um boom a partir do fim da Guerra Fria, quando as superpotências relaxaram seu controle sobre áreas em que, no passado, tinham grande influência.Neste novo cenário - em que a "Guerra Fria" deu lugar às chamadas "guerras quentes", ou seja, em que antigas tensões desembocaram de uma vez em conflitos - novos atores ganharam proeminência: movimentos separatistas, grupos radicais, forças privadas de segurança.A reportagem afirma que o Iraque é o melhor "campo de testes" para este setor, devido às "oportunidades financeiras" criadas pela guerra. Cerca de 48 mil empregados de 177 firmas privadas de segurança operam no país.Mas os "dilemas éticos" são igualmente grandes, nota o jornal. No domingo, um incidente envolvendo forças da empresa americana Blackwater deixou 28 mortos em Bagdá.A versão oficial é de que empregados da Blackwater dispararam contra civis iraquianos após sofrerem um frustrado atentado a bomba. Mas a investigação do Independent indica que a explosão ocorreu em um lugar distante de onde estavam os seguranças.Eles teriam, no entanto, disparado desnecessariamente contra a multidão, matando inclusive mulheres e crianças, alega o jornal.O governo iraquiano suspendeu a autorização da Blackwater de operar no país, mas a firma continua com o contrato do governo americano."Dos estimados 48 mil empregados terceirizados de segurança que operam no Iraque, nenhum foi processado ou punido por qualquer crime", critica o Independent.

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