Inglaterra busca transferir controle da segurança a afegãos

A Inglaterra será a anfitriã de negociações sobre o Afeganistão no dia 28 de janeiro, disse o primeiro-ministro Gordon Brown no sábado, poucos dias antes de o presidente americano Barack Obama ampliar seu esforço de guerra no país na semana que vem.

ADRIAN CROFT, REUTERS

28 Novembro 2009 | 17h36

A conferência internacional em Londres será seguida por uma reunião em Cabul e vai abordar como transferir progressivamente o controle da segurança no país para os afegãos, disseram Brown e o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, numa conferência da comunidade britânica em Trinidad e Tobago.

Isso, em tese, permitiria aos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), reduzir o número de tropas no país num momento em que diminui o apoio público à guerra que já dura oito anos.

As negociações entre Londres e Cabul vão "definir os pârametros para um papel mais significativo dos afegãos na definição do seus destinos," disse Ban.

Brown disse que ele via a necessidade de "transferir ao menos cinco províncias afegãs ao controle central afegão até o fim de 2010."

Apesar de se falar em redução gradual do número de tropas, o foco imediato dos Estados Unidos, da Inglaterra e de seus aliados é de como melhor lutar contra uma insurgência tenaz dos militantes da Al Qaeda e do Taliban. Fala-se inclusive em enviar dezenas de milhares de soldados adicionais para o país.

Para complicar ainda mais a situação há o problema dos esforços do Paquistão para enfrentar os militantes em seu lado da fronteira e a habilidade do presidente Hamid Karzai de lidar com o problema da corrupção e dos interesses geopolíticos da Índia, China, Irã e outros.

Obama falará aos americanos num comunicado televisivo no horário nobre na terça-feira para explicar o caminho para encerrar o conflito e porque os soldados americanos precisam estar no Afeganistão.

Espera-se que ele anuncie que está enviando mais 30 mil soldados americanos como parte da estratégia para acelerar o treinamento das forças de segurança afegãs e pressionar Karzai para melhorar a transparência depois que o pleito que o reelegeu em agosto foi marcado por fraudes.

A decisão de Obama, depois de uma revisão do conflito que levou três meses para completar, é crítica para o futuro do Afeganistão. Hoje, aproximadamente 68 mil soldados americanos formam a maior parte da força multinacional de 110 mil soldados estacionada no país.

A guerrra também será uma questão fundamental nas eleições britânicas de junho de 2010, nas quais Brown enfrenta um sério desafio para vencer, e nas eleições parlamentares americanas em novembro de 2010.

A violência no Afeganistão atingiu o nível mais alto desde que as forças americanas entraram no país em 2001 para derrubar o regime do Taliban por dar proteção a líderes da Al Qaeda responsáveis pelos ataques de 11 de setembro nos EUA.

O Paquistão também sofreu com uma onda de bombardeios realizados por insurgentes e que mataram centenas de pessoas desde que as forças armadas do país iniciaram uma ofensiva contra o Taliban em setembro.

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