Emmanuel Foudro/REUTERS
Emmanuel Foudro/REUTERS

Início de apuração aponta que 'sim' vencerá no referendo turco

Expansão dos poderes do presidente era tendência, segundo pesquisas; cerca de 55 milhões votaram

O Estado de S.Paulo

16 Abril 2017 | 12h15

Istambul - Após o encerramento das votações do referendo turco por volta das 17h (11h em Brasília), o início da apuração aponta vencimento do sim. Com 74% dos votos contabilizados, a extensão dos poderes do presidente Recep Tayyip Erdogan é aceita por mais de 54% da população. Se a vitória do sim se concretizar, está prevista a substituição do sistema parlamentarista pelo presidencialista, o que aboliria a figura do primeiro ministro e extenderia o poder de Erdogan. Ele é acusado de ter tendências de governo ditatoriais.

Sim. O sim permitira a Erdogan estar no poder até 2029, e isso pode deixar a relação entre Turquia e União Europeia mais tensa. O presidente disse que se o sim vencer, ele poderá cancelar o acordo com a UE e deixar de receber os refugiados do grupo. As pesquisas pré-referendo apontavam para uma pequena e sutil vitória do sim. Para a trabalhadora autônoma Bayram Seker, de 42 anos, que votou pelo sim, "essa é a oportunidade de recuperar o poder sobre o país", disse em Istambul. Os apoiadores de Erdogan defendem que o sistema presidencialista ao "estilo turco" pode trazer estabilidade e prosperidade ao país, que segundo eles está debilitado após sofrer ataques do Estado Islâmico e militantes curdos.

 

Ou não. A negativa é a decisão entre os que se mostram mais assustados com a reação de Erdogan em julho de 2016, quando a Turquia teria sofrido uma tentativa de golpe. A comunidade internacional classificou a reação como violenta e quase ditatorial - 47 mil pessoas foram presas e 120 mil demitidas após ser consideradas opositoras do governo de Erdogan. "Eu votei não porque não quero o país e seu legislativo, executivo e judiciário governados por apenas um homem. Isso enfraquecerá a demoracia", disse Hamit Yaz, de 34 anos. A estudante de direito Duygu Becerik, de 22 anos, teme: "Erdogan provavelmente morrerá. Outra pessoa assumirá o poder - exatamente o mesmo poder -, mas não sabemos quem. Isso é um problema".

O dia de votação. Ao menos oito pessoas foram detidas na Turquia ao comparecerem às estações de votação durante referendo promovido no país neste domingo. Segundo a agência de notícias estatal Anadolu, as pessoas são suspeitas de ligações com grupos considerados ilegais, como o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, o PKK e os ligados a Fethullah Gulen, clérigo acusado de promover uma tentativa de golpe em julho de 2016.  Os policiais estavam a postos e aguardavam que os suspeitos fossem votar.

Desavenças fatais.  Duas pessoas morreram e uma foi hospitalizada após uma briga entre famílias perto de um local de votação na província de Diyarbakir. Segundo a agência de notícias turca Dogan, a briga foi provocada por questões políticas. Os demais envolvidos foram detidos. Fonte: EFE/Associated Press.

 

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