Inimigos de Gaddafi avançam na cidade natal dele

Forças líbias convergiram na segunda-feira na cidade de Sirte, na esperança de selar sua revolução com a captura dos últimos bastiões do governante derrubado, mas talvez ainda perigoso.

REUTERS

29 de agosto de 2011 | 08h30

O paradeiro de Gaddafi é desconhecido desde que seus inimigos invadiram Trípoli há uma semana, levando ao colapso os 42 anos do regime dele.

O Conselho Nacional de Transição (CNT) pediu à Otan que mantenha a campanha militar aérea iniciada há cinco meses, que foi crucial para impulsionar os rebeldes líbios à vitória contra Gaddafi.

"Peço a continuada proteção da Otan e de seus aliados contra esse tirano", afirmou Mustafa Abdel Jalil, presidente do CNT, no Catar, numa reunião com ministros de Defesa de países que apoiaram a revolta. "Ele ainda é uma ameaça, não só para os líbios como para o mundo todo."

Um comandante da Otan prometeu manter a missão da aliança pelo menos até 27 de agosto, quando expira o mandato da ONU para ação militar.

"Acreditamos que o regime de Gaddafi está perto do colapso, e estamos comprometidos em ver a operação chegar à sua conclusão", disse o almirante norte-americano Samuel Locklear, chefe do Comando de Operações Conjuntas da Otan, a jornalistas em Doha, capital do Catar.

"Os bolsões das forças pró-Gaddafi estão sendo reduzidos a cada dia. O regime não tem mais capacidade de montar uma operação decisiva", afirmou ele, acrescentando que os bombardeios da aliança ocidental destruíram 5.000 alvos militares na Líbia.

No domingo, pelo terceiro dia consecutivo, aviões da Otan bombardearam Sirte, na costa do Mediterrâneo, segundo um porta-voz da aliança em Bruxelas.

Gaddafi nasceu em Sirte, 450 quilômetros a leste de Trípoli, em 1942. Depois de tomar o poder, em 1969, ele fez essa pacata aldeia de pescadores se transformar em uma cidade de 100 mil habitantes, que ele costumava usar em ocasiões de Estado.

Os líderes tribais de Sirte continuam a apoiá-lo. Mesmo sem estar claro se ele pretende montar uma resistência a partir de lá, a captura da cidade seria um prêmio simbólico e estratégico para os novos governantes.

A nova liderança diz que também há áreas ao sul, no meio do Saara, que ainda não estão totalmente sob seu controle.

O CNT ofereceu recompensa de 1,3 milhão de dólares e imunidade jurídica a quem matar ou capturar Gaddafi.

As forças do novo governo avançam rumo a Sirte a partir do leste e do oeste, embora a rendição da cidade continue sendo negociada.

Jamal Tunally, comandante militar em Misrata, a oeste, disse que "a linha de frente está a 30 quilômetros de Sirte".

"Achamos que a situação pode ser resolvida pacificamente, se Deus quiser. Agora só precisamos encontrar Gaddafi", afirmou. "Acho que ele ainda está escondido em baixo (do complexo governamental de) Bab al Aziziya."

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