Instituições dos EUA distorcem dados sobre terror, diz estudo

Um estudo divulgado naquarta-feira afirma que as mortes por terrorismo tiveram umaredução mundial, e que instituições norte-americanas relataramum aumento nesse número porque incluíram fatalidades relativasà guerra do Iraque. "Mesmo que os dados do 'terrorismo' do Iraque sejamincluídos, ainda assim houve um declínio substancial no saldoglobal do terrorismo", disse Relatório de Segurança Humana de2007, patrocinado pelos governos de Canadá, Noruega, Suíça,Suécia e Grã-Bretanha. O estudo afirma que as mortes mundiais pelo terrorismocaíram 40 por cento entre julho e setembro de 2007, mesmoquando é incluído um declínio de 55 por cento nas mortes noIraque, resultado do envio de reforços militares dos EUA e deuma trégua com a milícia xiita Exército Mehdi. "Concluímos que o consenso dos especialistas [sobre umaumento da atividade terrorista] é provavelmente enganador",disse em entrevista coletiva Andrew Mack, diretor do Projeto doRelatório de Segurança Humana. Várias entidades norte-americanas continuam relatando umaumento na violência pelo terrorismo. O Instituto Memorial paraa Prevenção do Terrorismo (MIPT), patrocinado pelo Departamentode Segurança Doméstica, diz que o número de vítimas no mundomais do que quadruplicou entre 1998 e 2006, e que o maioraumento deu-se desde o início da guerra do Iraque (2003). O Relatório de Segurança Humana mostra que, no estudo doMIPT, "uma extraordinária cifra de 79 por cento das vítimasglobais do terrorismo foram no Iraque" em 2006. Especialistas definem terrorismo como sendo a violênciaintencional e politicamente imotivada contra civis, algo quecertamente descreve muitas das mortes ocorridas no Iraque. Mas mesmo os especialistas do MIPT e de outras entidadesadmitem que o Iraque ocupado é um caso especial, sem ligaçãocom qualquer tendência mundial. "Se você tirar o Iraque, o terrorismo está estável ouligeiramente menor", disse à Reuters James Ellis, diretor depesquisas e programas do MIPT. "[Incluir o Iraque] teve umefeito de distorção." O Relatório de Segurança Humana também questiona a inclusãoem outros índices de mortes em uma situação de guerra civil noIraque, mas não das vítimas de conflitos na África. Para Mack,trata-se de uma visão "americanocêntrica" do terrorismo. O MIPT e outras entidades dizem excluir milhares de mortesanuais na região sudanesa de Darfur por considerar que se tratade um genocídio promovido pelo Estado, e não de terrorismo.

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