Insurgência afegã é cruel e mudanças são necessárias, diz ONU

A insurgência afegã tem sidomuito pior do que o esperado e, para que os esforçosinternacionais no Afeganistão tenham sucesso, é preciso que opapel da ONU seja mais intenso, disse um alto oficial dasNações Unidas na quarta-feira. "Nós estamos enfrentando uma insurgência que provou sermais resiliente do que o esperado e mais cruel do que jamaispoderíamos imaginar", disse o sub-secretário geral das NaçõesUnidas para as Operações de Manutenção de Paz, Jean-MarieGuehenno, ao Conselho de Segurança, em debate aberto paraestender o mandato da ONU no Afeganistão. Ele também disse ao Conselho que as instituiçõesgovernamentais no Afeganistão continuam frágeis, em partedevido à corrupção generalizada. O tráfico ilegal de ópiocontinua a prosperar e enfraqueceu o governo ao financiar osinsurgentes do Taliban. "Apesar de comprometida e generosa, a comunidadeinternacional não tem se unido o suficiente em relação aquestões diplomáticas cruciais", disse Guehenno. "As Nações Unidas têm sua própria carga de responsabilidadepelas deficiências na coordenação internacional." Apesar destes problemas, Guehenno disse que não hánecessidade de expandir os poderes ou o mandato da missão daONU no Afeganistão, chamada de Unama. Talvez ela só precise sermais intensa, ele disse.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse em seu últimorelatório ao Conselho de Segurança que os ataques de militantesno Afeganistão aumentaram dramaticamente no ano passado, com asmortes de civis figurando como quase um quinto do total. Para chamar atenção para as falhas nos esforços paraestabilizar o Afeganistão, Ban recomendou aumentar a coesãoentre a comunidade internacional, o governo afegão e as forçasda ISAF, coordenadas pela Otan, além de expandir as atividadesda ONU no país afora. A Itália esboçou uma resolução do Conselho de Segurança e acirculou entre os membros. Espera-se que ela seja votada em 20de março, três dias antes do término do mandato da Unama. Os diplomatas ocidentais consideram que um dos maioresproblemas do Afeganistão é que as figuras de maior destaqueinternacional são os comandantes do Exército e não o lídercivil da Unama, o alemão Tom Koenigs. Para os diplomatas, o novo enviado máximo da ONU aoAfeganistão, o norueguês Kai Eide, terá de assumir um papelmais ativo na coordenação das atividades civis e militaresinternacionais e também na hora de trabalhar com o governo. Eletambém terá de impulsionar a cooperação com o Paquistão, seuvolátil vizinho. O esboço da resolução, obtido pela Reuters, aponta umasérie de inadequações nos esforços ocidentais no Afeganistão.Ele pede que a comunidade internacional dê "apoio mais coerentepara o governo afegão". (Reportagem de Louis Charbonneau) REUTERS MR FE

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.