Inteligência do Paquistão tem ligações com milícia, dizem EUA

Oficiais acusaram rede Haqqani de estar envolvida em ataques recentes no Afeganistão

Reuters,

16 de junho de 2010 | 22h16

WASHINGTON- O governo dos Estados Unidos apresentou provas ao Paquistão sobre a crescente ameaça de uma facção militante suspeita de ter ligações com a inteligência paquistanesa, disseram oficiais americanos nesta quarta-feira, 16.

 

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Nas apresentações, líderes militares dos Estados Unidos forneceram informações ao Exército do Paquistão detalhando o papel da rede Haqqani em uma última crescente onda de explosões, incluindo uma no mês passado que atingiu a principal base do Otan no Afeganistão, em Bagram.

 

Washington tem pressionado Islamabad para deter os Haqqanis, milícia aliada do Taleban, na zona tribal do Waziristão no Norte, na fronteira com o Afeganistão. Os EUA reconhecem, contudo, que esta é uma meta difícil, devido a resistência da inteligência paquistanesa.

 

O general David Petraeus, chefe das formas americanas no Iraque e Afeganistão, disse em uma audiência no Congresso que os Haqqanis têm "ambições transnacionais", sugerindo que eles podem tentar alcançá-los por meio do Afeganistão e Paquistão.

 

Os Estados Unidos já fizeram alertas semelhantes sobre o crescimento do alcance Taleban paquistanês, organização culpada por investigadores por um atentado falido em Times Square em 1º de maio.

 

Há razões estratégicas para que o Paquistão hesite em atacar os Haqqanis, facção vista por alguns em Islamabad como posse fundamental que os dará influência em qualquer eventual decisão na guerra com o vizinho Afeganistão.

 

Um oficial americano afirmou que "alguns elementos" da inteligência paquistanesa, mas não todos, ainda apoiam os Haqqanis. Sem mencionar o nome da organização, Petraeus reconheceu ligações antigas entre Islamabad e o que ele chamou de "homens maus", sugerindo que as relações eram úteis para a coleta de inteligência dos dois grupos.

 

Segundo os americanos, a inteligência paquistanesa não somente treina e financia militantes Taleban no Afeganistão, mas é oficialmente representada no conselho da liderança do movimento, que dá a ela importância significativa nas operações.

 

Petraeus afirmou que não há dúvidas de que o Paquistão tem mantido "uma variedade de relações", em alguns casos há décadas, com grupos que, com apoio americano, derrotaram a União Soviética quando ela ocupou o Afeganistão.

 

Alguns dos grupos em questão estão agora liderando a luta contra as forças ocidentais no país.

 

O Pentágono se disse confiante de que o Paquistão irá mobilizar uma ofensiva no Waziristão do Norte, mas reconheceu que as forças armadas paquistanesas já estão ocupadas com operações em outras áreas tribais.

 

Petraeus, o general Stanley McChrystal, principal comandante americano e da Otan no Afeganistão, e o almirante Mike Mullen, chefe do Estado Maior Conjunto, discutiram o papel dos Haqqani em explosões em uma recente reunião com o chefe do Exército paquistanês, Ashfaq Kayani.

 

"Nós dividimos informações com ele sobre ligações da liderança da rede Haqqani (...) que claramente comandou e controlou a operação contra a base aérea de Bagram e o ataque em Cabul, entre outros", disse Petraeus.

 

Homens-bomba com foguetes e granadas atacaram a base de Bagram em 19 de maio, matando um empreiteiro americano e ferindo nove soldados. Um dia antes, um suicida atacou um comboio militar em Cabul, deixando 12 civis afegãos e seis soldados estrangeiros mortos.

 

Bagram é a principal base americana no país. Ela foi usada pela extinta União Soviética durante a invasão ao Afeganistão nos anos 80.

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