Investigação da AIEA pára e Irã amplia programa nuclear

A agência da ONU para a questão nuclear(AIEA) parou de investigar as atividades nucleares do Irã, quepor sua vez continua gradativamente a ampliar seu programa deenriquecimento de urânio, disseram diplomatas à Reuters. Eles esperam que o relatório de segunda-feira da agênciareflita tal situação, num momento em que diminuiu a pressãointernacional sobre o Irã -- devido aos atritos entre a Rússiae o Ocidente após a guerra com a Geórgia e pelo fato de ogoverno Bush já estar em fim de mandato nos EUA. Em maio, a AIEA disse que o Irã parecia estar retendoinformações necessárias para explicar suspeitas a respeito doenriquecimento de urânio, do teste de explosivos e da adaptaçãode um míssil para receber ogivas nucleares. Na época, o diretor da agência, Mohamed El Baradei, pediuao país que parasse de simplesmente negar as suspeitas ecomeçasse a permitir visitas de inspetores às instalações,acesso a documentos e entrevistas com funcionários envolvidos. O Irã diz ter direito a enriquecer urânio para alimentarusinas nucleares que gerem energia para fins civis. O Ocidentesuspeita do desenvolvimento de armas atômicas. Nos últimos três meses, o Irã manteve reuniões com a AIEAem Viena, mas aparentemente sem avanços, segundo diplomatasligados à agência, que pediram anonimato por não estaremautorizados a falar publicamente sobre o assunto. "O que se diz é que não há progressos em esclarecer aspossíveis dimensões militares do programa", disse um diplomataeuropeu, alertando, como outros, que um quadro mais claro sósurgirá a partir do próximo relatório de El Baradei. Dois diplomatas disseram que em agosto o Irã barrou oacesso da AIEA a oficinas possivelmente envolvidas nasalterações dos mísseis. "Disseram para nós que o relatório será negativo", afirmouum terceiro diplomata. Outras fontes disseram que o Irã reduziua cooperação com a AIEA a um mínimo previsto no seu acordo desalvaguardas nucleares com a agência. Isso significa que há apenas inspeções limitadas de rotinaem locais nucleares declarados, mas sem acesso a instalaçõesque, segundo o Irã, poderiam comprometer sua segurança eenvolveriam apenas instalações militares convencionais, fora dajurisdição da AIEA. "Eles não querem visitas a locais de defesa nacional",disse um diplomata bem informado sobre as negociações. De acordo com essa fonte, Teerã teme que seus inimigos EUAe Israel usem tais visitas para "obter coordenadas para futurosataques e para identificar pessoal-chave a ser alvejado." "Não é só uma simples história de obstrução iraniana. Mashá um impasse. A veracidade dos supostos estudos [sobre bombasatômicas] não pode ser conclusivamente provada", disse umdiplomata. As potências ocidentais podem aproveitar a reunião dos 35países da AIEA, entre 22 e 26 de setembro, para tentar aprovaruma resolução que exija a colaboração iraniana. Tal pressão,que depende também do tom do relatório, seria acima de tudosimbólica.

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