Irã acusa Arábia Saudita de entregar cientista nuclear aos EUA

Segundo ministro do Exterior, Shahram Amiri tinha informações sobre o programa de enriquecimento de urânio

Reuters,

08 de dezembro de 2009 | 14h14

O Irã acusou a Arábia Saudita nesta terça-feira, 8, de entregar aos EUA um cientista nuclear iraniano desaparecido desde junho, informou a agência semi-oficial Mehr.

 

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Shahram Amiri, um pesquisador universitário que trabalhava para a Organização de Energia Atômica do Irã, desapareceu durante uma peregrinação à Arábia Saudita em junho. Alguns meios de comunicação dizem que ele queria asilo em outro país.

 

"Riyadh entregou o cientista nuclear do Irã aos EUA", disse o ministro iraniano do Exterior, Ramin Mehmanparast. "Ele está sendo mantido com mais dez iranianos", completou o funcionário do governo de Mahmoud Ahmadinejad. Washington negou envolvimento com o desaparecimento de Amiri.

 

Teerã originalmente desmentiu o envolvimento de Amiri com o programa nuclear iraniano, que os EUA suspeitam ter fins bélicos e não pacíficos, como alega o Irã.

 

O cientista desapareceu mais de três meses antes de o Irã revelar a existência de uma segunda usina de enriquecimento de urânio, próxima à cidade sagrada de Qom e embaixo de uma montanha. O complexo foi mantido em segredo até setembro.

 

Em 2007, o chefe da Polícia iraniana acusou o Ocidente de estar por trás do sequestro do ex-ministro de Defesa Ali Reza Asgari, desaparecido na Turquia. Na época, jornais turcos diziam que Asgari tinha informações sobre o programa nuclear iraniano.

 

Tensões

 

O Irã rejeitou o acordo proposto pelos membros do Conselho de Segurança da ONU - França, EUA, China, Rússia, Reino Unido - e da Alemanha de enviar urânio ao exterior e recebê-lo de volta enriquecido a níveis seguros para produção de energia elétrica.

 

No final de novembro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução condenando o Irã por não cooperar com as investigações sobre o programa nuclear. Em resposta, a República Islâmica anunciou que construiria mais dez usinas de enriquecimento de urânio, aumentando os temores do Ocidente de que o programa nuclear tem fins bélicos.

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