Irã acusa Conselho de Segurança e EUA de traírem Brasil e Turquia

Para presidente do Parlamento, seu país foi punido com sanções sem ter cometido crime algum

Efe

20 de julho de 2010 | 13h03

VIENA - O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, afirmou hoje que Brasil e Turquia foram "traídos pelo Conselho de Segurança e pelos Estados Unidos" depois que estes ignoraram o acordo alcançado pelos dois países com o Irã sobre seu programa nuclear.

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"O que os EUA e o Conselho de Segurança fizeram foi um insulto. (Brasil e Turquia) receberam uma missão e depois os traíram. Brasil e Turquia têm todo o direito de estar zangados", afirmou Larijani em um encontro com a imprensa em Genebra.

O presidente do Parlamento iraniano participa nesta semana da terceira Conferência Internacional de Presidentes de Parlamentos, organizada pela União Interparlamentar.

Segundo Larijani, o próprio presidente americano, Barack Obama, entregou uma carta dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdongan, na qual pedia a intermediação de ambos com o Irã.

"Eles próprios (Lula e Erdogan) me disseram pessoalmente. Me disseram que Obama lhes disse que queria começar uma nova etapa, que deixaria para trás o método do Conselho de Segurança. Nós aceitamos e depois todo mundo sabe o que aconteceu, foi um insulto para os três países", disse Larijani.

Em 17 de maio, Brasil, Irã e Turquia assinaram um acordo segundo o qual os iranianos enviariam parte de seu urânio pouco enriquecido (3,5%) à Turquia. Em troca, receberia combustível nuclear enriquecido até 20%, nível adequado para uso civil e longe do necessário para a fabricação de uma bomba atômica.

No entanto, pouco depois, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma nova rodada de sanções contra o Irã, a quarta até agora, por sua rejeição a suspender o enriquecimento de urânio.

"Que tipo de lei internacional é essa que pune um país quando ainda não cometeu nenhum crime?", perguntou Larijani, ao insistir que o Irã só quer enriquecer urânio com fins civis e afirmou que as sanções não terão efeito.

"A mais recente resolução da ONU terá o mesmo sucesso que as três anteriores em sua intenção de mudar o programa nuclear do Irã", declarou.

Larijani também falou de "dois pesos e duas medidas" nas atitudes da comunidade internacional em relação ao Irã, especialmente de Washington.

"O regime sionista (Israel) conta com 300 ogivas nucleares e não vejo os Estados Unidos levando o caso ao Conselho de Segurança", comparou.

O presidente do Parlamento iraniano também comentou as recentes declarações do presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, segundo o qual o Irã deve ter coragem para uma cooperação mais estreita com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear.

"Me oponho ao que Medvedev disse. A realidade conhecida por todo o mundo é que nós não contamos com armas nucleares. Não há porque expressar preocupação por algo que não existe e que todos conhecemos", afirmou Larijani, para quem com Vladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro russo, as relações entre Irã e Rússia fluíam melhor.

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