Irã acusa mídia estrageira de 'unir forças' com oposicionistas

Em comunicado, Guarda Revolucionária diz que reponsáveis por protestos 'pagarão pela insolência'

Reuters,

29 de dezembro de 2009 | 09h55

A Guarda Revolucionária do Irã acusou a mídia estrangeira nesta terça-feira, 29, de estimular uma guerra psicológica para desestabilizar o governo dos clérigos e disse que a imprensa uniu forças com a oposição contra o Estado islâmico.

 

"A mídia estrangeira está fazendo uma guerra psicológica. Tentar minar o sistema não dará resultados. Promotores das rebeliões logo pagarão o preço por suas insolências. A oposição, que deu as mãos à imprensa estrangeira, é apoiada por inimigos estrangeiros", indicou a Guarda por meio de um comunicado, segundo a agência Isna. A Guarda Revolucionária é o principal e mais forte órgão de segurança do Irã.

 

Nos últimos meses, o Irã tem sofrido com grandes protestos contra o governo do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad. Desde meados de junho, quando ocorreram as contestadas eleições presidenciais no país, oposicionistas e militares entraram em conflitos diversas vezes, principalmente em Teerã, na capital do país.

 

A imprensa estrangeira sofreu bloqueios do governo iraniano e foi proibida de noticiar fatos relacionados aos frequentes conflitos entre os manifestantes e os militares.

 

Sionistas e americanos

 

Sobre as manifestações de domingo contra o governo que deixaram oito mortos, o presidente Ahmadinejad afirmou que os protestos foram "um roteiro por sionistas e americanos", segundo a agência de notícias oficial Irna.

 

Segundo o presidente, os "sionistas e americanos" apenas assistem à violência. "É um espetáculo que faz vomitar, mas tanto os que o planificam quanto os que participam dele se equivocam", acrescentou o presidente, que se manifestou pela primeira fez sobre os protestos.

 

Denúncia

 

O sindicato de imprensa dos Emirados Árabes Unidos denunciou o desaparecimento do correspondente da televisão estatal de Dubai em Teerã no domingo. Em um uma nota divulgada nesta terça, o presidente deste organismo, Mohammed Youssef, pediu à União Internacional de Jornalistas que intervenha para saber o paradeiro do jornalista sírio Rida al-Basha, após se perder qualquer tipo de contato com ele no domingo passado.

 

O desaparecimento do jornalista de nacionalidade síria coincidiu com a celebração da festividade xiita da Ashura, que foi aproveitada pela oposição iraniana para realizar maciças manifestações de protesto, reprimidas com brutalidade pelas autoridades iranianas.

 

O comunicado não dá detalhes sobre as circunstâncias nas quais o correspondente desapareceu, nem precisa se estava cobrindo as manifestações quando sumiu.

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