Irã admite mudança na agência nuclear por causa de negociações com Ocidente

O governo do presidente do Irã, Hassan Rouhani, confirmou nesta segunda-feira rumores de que reformou a liderança da agência atômica para afastar especialistas nucleares contrários às negociações do programa nuclear com o Ocidente.

Reuters

21 de abril de 2014 | 18h46

Rouhani e seus negociadores estão sob forte pressão de setores islâmicos mais rígidos, que se opõem a conversas com os Estados Unidos e cinco outras potências, que buscam maior transparência no programa em troca do fim de sanções contra o Irã.

Enquanto as negociações se encaminham para um possível acordo no final de julho, a parte linha-dura, muitos deles remanescentes do governo do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, intensificou a sua retórica, acusando Rouhani de ceder para o Ocidente em uma questão de orgulho nacional e identidade revolucionária.

Entre os rumores que estavam circulando há semanas estava a possível expulsão de cientistas nucleares da Organização de Energia Atômica.

Após se desviar do assunto por muito tempo, um porta-voz da agência iraniana finalmente falou sobre o assunto nesta segunda-feira.

"Apenas um número limitado de pessoas estavam preocupadas e não eram nem cientistas, nem foram demitidos", disse Behruz Kamalvandi, contato entre a agência nuclear e o Parlamento nacional. Seus comentários, feitos para estudantes islâmicos radicais na Universidade de Teerã, foi reproduzido pela agência de notícias oficial IRNA.

"Se um chefe não tem autoridade para mudar algumas pessoas em um grupo de 15 mil, ele não deveria ser chamado de chefe", acrescentou, acusando os radicais de explorarem o assunto nuclear "para fins políticos, com o intuito de ganhar assentos no Parlamento".

"Por que vocês politizam o assunto? Vamos parar de resmungar e evitar destruir uns aos outros, para podermos alcançar nossos objetivos internacionais", afirmou Kamalvandi, dizendo que "algumas pessoas estão querendo assumir a função do líder supremo", aiatolá Ali Khamenei, na questão nuclear.

(Por Mehrdad Balali)

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