Irã adverte secretário-geral da ONU sobre 'padrão duplo'

O Irã advertiu na quinta-feira o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, sobre "padrões duplos", depois que o secretário criticou o discurso antiisraelense feito pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em uma conferência da ONU nesta semana.

PATRICK WORSNI, REUTERS

23 de abril de 2009 | 16h23

Em uma carta a Ban, o embaixador do Irã na ONU, Mohammad Khazaee, denunciou as reações furiosas ao discurso de Ahmadinejad na mesma época em que, diz ele, autoridades da ONU silenciam-se sobre o tratamento conferido por Israel aos palestinos.

Na segunda-feira, o presidente iraniano, que já questionou o Holocausto nazista, criticou Israel na conferência da ONU sobre racismo em Genebra, classificando o governo do país como "totalmente racista" fundado "sob o pretexto do sofrimento dos judeus".

Em uma rara crítica a um chefe de Estado, Ban condenou o uso do microfone da conferência por Ahmadinejad "para acusar, dividir e até mesmo incitar".

Khazaee indicou que o comentário ia contra a necessidade de um chefe da ONU ser "imparcial e justo".

"A vigilância extrema deve ser exercitada a fim de evitar qualquer situação em que a ONU e suas distintas autoridades sejam vistas aplicando abordagens seletivas, praticando duplos padrões ou tomando posições enviesadas", disse ele.

"Todas essas reações incompreensíveis foram feitas contra a declaração (de Ahmadinejad) enquanto a ONU e suas autoridades têm permanecido em silêncio a respeito dos abomináveis crimes do regime israelense contra os palestinos inocentes e sobre as ameaças, acusações e distorções feitas contra o Irã pelo regime israelense", acrescentou Khazaee.

O enviado iraniano referiu-se às declarações israelenses de que o programa nuclear do Irã, o qual Teerã diz ser pacífico, ameaça a existência do Estado judaico e à especulação em Israel sobre um possível ataque contra as instalações nucleares do Irã.

Khazaee também condenou a saída dos delegados do União Europeia durante o discurso de Ahmadinejad na conferência de Genebra, classificando-a de "manifestação de intolerância" em desrespeito aos princípios da ONU de liberdade de expressão.

Ahmadinejad, disse a carta iraniana, tem sido "submetido a duras críticas injustas e injustificáveis apenas por tentar manifestar as posições do país ao qual ele representa".

O presidente iraniano, disse a carta, simplesmente expressou "o que, em nosso ponto de vista, constitui a posição e a preocupação da grande maioria dos Estados membros da ONU sobre o problema do povo palestino causado pelas práticas e políticas do regime israelense".

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