Irã afirma que não renunciará a direito à tecnologia nuclear

Recentemente, Rice ameaçou o país com novas punições caso não abandone o enriquecimento de urânio

Efe,

23 de julho de 2008 | 06h25

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quarta-feira, 23, que seu país "não renunciará ao direito" de ter acesso à tecnologia nuclear. Ele rejeitou as advertências dos Estados Unidos pela recusa de Teerã de suspender o enriquecimento de urânio, informou a emissora de TV local Alalam. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, ameaçou o Irã com novas medidas punitivas caso não responda claramente dentro de duas semanas à exigência do grupo dos 5+1, formado pelos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha, para que abandone o enriquecimento de urânio, uma matéria de duplo uso, militar e civil. Rice fez esta advertência na segunda-feira passada, dois dias depois de o chefe da diplomacia da União Européia (UE), Javier Solana, afirmar que os iranianos não apresentaram uma resposta concreta ao pacote de incentivos do 5+1 durante a reunião de sábado passado em Genebra. "O povo iraniano não se submeterá às pressões (...) ninguém conseguirá aterrorizar o povo iraniano", disse Ahmadinejad em discurso na República Islâmica. Esse encontro contou com a participação de representantes do grupo 5+1, do principal negociador iraniano em matéria nuclear, Saeed Jalili, e teve pela primeira vez um alto responsável americano. A presença do subsecretário de Estado americano, William Burns, foi qualificada por Ahmadinejad como "positiva" e um "passo em direção ao reconhecimento dos direitos iranianos". O encontro de Genebra aconteceu depois de o 5+1 apresentar no último dia 14 ao Irã um conjunto de incentivos em troca da suspensão do enriquecimento de urânio. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse após o encontro que Teerã "tem de escolher entre a cooperação e o confronto", em alusão à possibilidade de impor novas sanções ao Irã. "O Irã cooperará (com a comunidade internacional) de acordo com a lei e a lógica (...) o povo iraniano é agora uma potência mundial e ninguém poderá aterrorizá-lo", disse hoje Ahmadinejad, segundo a "Alalam". O Conselho de Segurança da ONU adotou nos últimos dois anos três resoluções com sanções contra o Irã por sua recusa a suspender o programa de enriquecimento de urânio, que os iranianos afirmam que é pacífico e a comunidade internacional suspeita de que tem fins militares.

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