Irã alerta vizinhos a não ajudarem Israel

O Irã alertou países vizinhos a não ajudarem seu arqui-inimigo Israel, um dia depois de o governo anunciar que desbaratou uma rede de espionagem ligada ao Estado judeu e supostamente responsável pelo assassinato de um cientista nuclear iraniano.

PARISA HAFEZI, REUTERS

11 de janeiro de 2011 | 11h18

Israel não descarta o recurso a ações militares contra a República Islâmica caso a diplomacia seja insuficiente para convencer Teerã a abandonar seu programa nuclear. O Irã promete retaliar lançando mísseis contra Israel e contra alvos norte-americanos no golfo Pérsico.

"Nossos vizinhos e os países da região que têm relações com o regime sionista deveriam saber que qualquer assistência dada a esse regime será vista como uma ameaça ao Irã", disse o ministro da Inteligência, Heidar Moslehi, numa rara entrevista coletiva na terça-feira.

"A interação dos países da região com esse regime ajudará na criação de bases para ações terroristas e de espionagem", acrescentou.

O Irã disse na segunda-feira que prendeu uma "rede de espiões" ligada ao Mossad (serviço de inteligência israelense), e que esse grupo havia sido responsável pelo assassinato do cientista nuclear Masoud Ali-Mohammadi, vítima de um atentado a bomba na Universidade de Teerã, incidente que na quarta-feira completa um ano.

"A célula detida inclui muitas redes... Até agora, mais de dez pessoas ligadas a várias redes foram detidas, e as prisões irão continuar", disse Moslehi. "Todos eles eram membros de redes ligadas ao Mossad."

O Irã já havia atribuído a morte de Ali-Mohammadi aos EUA e a Israel, acusação que Washington qualificou de "absurda". Outro cientista nuclear iraniano foi morto em 29 de novembro.

O Irã disse na segunda-feira que Israel usou "alguns países europeus e não-europeus, bem como alguns países vizinhos, para cometer o assassinato" de Ali-Mohammadi.

Israel tem relações diplomáticas com vários países do Oriente Médio, como Egito, Jordânia e Turquia, mas diversos outros governos de nações árabes e muçulmanas rejeitam contatos com o Estado judeu.

Na sua entrevista, Moslehi disse que "grupos mercenários como o de Rigi e o PJAK... tiveram reuniões com o regime sionista para infligir golpes contra a República Islâmica". Ele se referia a Abdomalek Rigi, líder do grupo rebelde sunita Jundollah, executado em 2010, e ao PJAK (Partido da Vida Livre do Curdistão), que busca autonomia para áreas curdas do Irã. Teerã considera o PJAK um grupo terrorista.

Irã e Israel são arqui-inimigos desde a Revolução Islâmica de 1979 no Irã, e Teerã periodicamente anuncia prisões de pessoas suspeitas de espionarem para Israel.

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