Irã ameaça cortar petróleo se for atacado pelos EUA

EUA vêm advertindo o Irã para que desmantele seu programa nuclear, que a Casa Branca diz ter fins militares

AE-AP,

18 de novembro de 2007 | 21h06

No encerramento da reunião dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), neste domingo, em Riad, na Arábia Saudita, o Irã voltou a ameaçar usar o petróleo como arma se o país for atacado pelos Estados Unidos. "Não queríamos isso, mas se os EUA tomarem qualquer ação contra nós, saberemos como responder", advertiu o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad.  O receio de que uma invasão americana leve à suspensão das exportações de petróleo pelo Irã, o segundo maior produtor da Opep, é um dos fatores que vêm impulsionando a alta do preço do produto - hoje cotado em torno de US$ 100 o barril. Os EUA vêm advertindo o Irã para que desmantele seu programa nuclear, que a Casa Branca diz ter fins militares. Teerã nega. A ameaça de Ahmadinejad veio acompanhada de outra, feita por seu colega venezuelano, Hugo Chávez: "Se os EUA cometerem a loucura de invadir o Irã ou de agredir novamente a Venezuela, o preço do petróleo, na melhor das hipóteses, chegará a US$ 200." Rafael Correa, presidente do Equador, também engrossou o coro, dizendo que o petróleo subiria para até US$ 250 se Washington invadisse o Irã.  Atuação política Irã, Venezuela e Equador querem ainda que a Opep tenha uma atuação mais política. No entanto, o bloco mais moderado, liderado pela Arábia Saudita - maior exportador de petróleo e forte aliado dos EUA -, insiste para que o grupo permaneça agindo exclusivamente no âmbito técnico e econômico. Na declaração final, os países membros garantiram que a Opep "seguirá fornecendo uma oferta de petróleo adequada, oportuna e eficiente aos mercados mundiais". Ahmadinejad disse também que todos os países da Opep mostraram interesse em converter suas reservas em outra moeda em vez do dólar, que está se desvalorizando. "Líderes presentes disseram que os países produtores deveriam designar uma moeda forte e não o dólar para formar a base das negociações do petróleo", afirmou o iraniano. "Eles recebem nosso petróleo e, em troca, nos dão um pedaço de papel que não vale nada." O tema veio à tona na entrevista coletiva após uma discussão fechada ter sido transmitida por engano pela TV. Ainda que não tenha acrescentado o assunto em sua declaração final, como queria Irã, Venezuela e Equador, a cúpula da Opep deixou a cargo de seus ministérios de Finanças e Relações Exteriores estudar o impacto da queda do dólar na venda do petróleo. Alguns membros da organização, entretanto, já se manifestaram contra a proposta de Ahmadinejad. O ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, por exemplo, disse que "flutuações no mercado não têm nada a ver com a Opep".

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