Irã ameaça 'medidas duras' contra velejadores britânicos

O Irã tomará medidas duras contra cinco velejadores britânicos detidos no golfo Pérsico, caso constate que eles tinham "más intenções" ,disse na terça-feira um assessor do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

HOSSEIN JASEB E KEITH WEIR, REUTERS

01 de dezembro de 2009 | 08h54

As relações anglo-iranianas estão abaladas nos últimos anos por diversos motivos, como o programa nuclear iraniano e as acusações de Teerã de que Londres teria insuflado os protestos após as eleições iranianas de junho.

A prisão dos velejadores veio à tona na segunda-feira e gerou temores de uma crise diplomática, elevando a cotação do petróleo em mais de 1 dólar.

O chefe de gabinete da Presidência iraniana, Esfandiar Rahim-Mashaie, disse à agência semioficial de notícias Fars que "o Judiciário irá decidir sobre os cinco, (e) naturalmente nossas medidas serão duras e sérias se concluirmos que eles tinham más intenções."

A Grã-Bretanha salientou que os velejadores são civis, e rejeitou paralelos com um incidente de 2007, quando o Irã prendeu 15 membros das suas forças navais na costa do golfo Pérsico.

"Certamente não há confronto nem discussão. Até onde sabemos, essa gente está sendo bem tratada, o que é certo e é o que esperaríamos de um país como o Irã", disse o chanceler britânico, David Miliband, à rádio BBC 4.

Ele acrescentou que aguarda para terça-feira uma declaração da chancelaria iraniana. "Entendemos que o governo iraniano está investigando o incidente, o que é perfeitamente razoável, e então esperamos que seja prontamente resolvido", afirmou Miliband.

Miliband disse que os velejadores entraram "inadvertidamente" em águas iranianas e foram abordados por embarcações militares do Irã em 25 de novembro.

Organizadores de uma regata da qual os velejadores participariam disseram que o barco deles apresentou um problema com um motor no trajeto entre Barein e Dubai.

Por intermédio da agência Fars, a Guarda Revolucionária do Irã confirmou na terça-feira a prisão dos britânicos. "Confrontar forças estrangeiras e detê-las no Golfo é o dever da Guarda Revolucionária", disse o comandante da força naval da Guarda, Ali Reza Tangsiri.

Um novo estudo de inteligência dos EUA diz que o Irã estruturou suas forças navais para que um braço da Guarda Revolucionária se torne responsável pelas operações no Golfo.

(Reportagem adicional de Ramin Mostafavi e Parisa Hafezi em Teerã)

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