Irã amplia prisões, tortura e execuções, diz ONU

O Irã intensificou as execuções de prisioneiros, inclusive menores de idade, além das detenções de dissidentes que muitas vezes são torturados até a morte na prisão, disseram dois relatórios da ONU na quinta-feira.

STE, Reuters

28 de fevereiro de 2013 | 20h07

Nos textos divulgados em Genebra, o secretário-geral Ban Ki-moon e o investigador especial da ONU para direitos humanos no Irã, Ahmed Shaheed, manifestaram preocupação com o que descreveram como um aparente aumento na frequência e gravidade dos abusos no Irã.

"O secretário-geral continua profundamente perturbado por relatos sobre crescentes números de execuções, inclusive de menores infratores e em público; sobre a continuidade das amputações e açoitamentos; sobre as prisões e detenções arbitrárias; sobre os julgamentos injustos, tortura e maus-tratos; e sobre as severas restrições contra os profissionais da mídia, defensores dos direitos humanos, advogados e atividades da oposição, bem como minorias religiosas."

Em seu relatório, Shaheed disse que o Irã deixou de investigar "violações disseminadas, sistêmicas e sistemáticas dos direitos humanos". Ele pediu a "libertação imediata e incondicional" de ativistas, jornalistas e advogados que estejam presos por sua militância em prol dos direitos humanos.

Shaheed disse que os líderes oposicionistas Mehdi Karoubi e Mir Hossein Mousavi, sob prisão domiciliar, estão entre centenas de pessoas que se tornaram presos políticos por exercerem sua liberdade de expressão durante protestos contra uma suposta fraude eleitoral em 2009.

Num ano em que o Irã terá novamente eleições presidenciais, dezenas de jornalistas, blogueiros e ativistas foram detidos nos últimos meses, segundo Shaheed. Advogados que defendem essas figuras também sofrem represálias, como o foi o caso de Abdolfatah Soltani, que foi detido em 2011 e agora cumpre pena de 13 anos de prisão.

Num caso que provocou indignação internacional, o blogueiro Sattar Beheshti foi preso em outubro depois de receber ameaças de morte, e morreu dias depois, na prisão. As autoridades iranianas detiveram sete pessoas por suposto envolvimento na morte, e uma fonte judicial disse que a perícia encontrou marcas de pancadas no corpo dele.

Shaheed escreveu que "uma fonte bem informada comunicou que o sr. Beheshti foi torturado com o propósito de que obtivessem seu nome de usuário e senha do Facebook, que ele foi repetidamente ameaçado de morte durante seu interrogatório, e que foi agredido no rosto e no torso com um cassetete".

Ele acrescentou que também foram relatados casos de torturas com instrumentos contundentes, inclusive cassetetes, além de estupros e choques elétricos.

Os dois relatórios recomendaram que o Irã pare de aplicar a pena de morte a menores de idade, o que é proibido pelo direito internacional.

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