Irã anuncia avanço nuclear antes de conversações sobre o tema

Diretor da organização de Energia Atômica diz que equipamentos são superiores aos testados anteriormente

Agência Estado,

22 de setembro de 2009 | 10h01

O Irã informou nesta terça-feira, 22, ter conquistado um importante incremento em sua capacidade de produzir combustível nuclear, enquanto se prepara para participar de conversações com as principais potências mundiais sobre seu programa nuclear no próximo mês, diálogo que o Ocidente espera que leve à suspensão do processo de enriquecimento de urânio.

 

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O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, disse que centrífugas melhoradas estão sendo testadas e permitirão que o urânio seja enriquecido mais rapidamente. Salehi, entrentanto, afirmou novamente que nas conversações com as seis maiores potências, marcadas para 1º de outubro, o Irã não vai permitir que os governos ocidentais estabeleçam como precondição a interrupção do processo de enriquecimento de urânio do país.

 

"Nossos cientistas construíram uma nova geração de centrífugas e cascatas com dez centrífugas cada estão sendo testadas", disse Salehi durante sua primeira coletiva de imprensa desde que assumiu o cargo.

 

O chefe a organização disse que a nova geração de centrífugas pode enriquecer urânio com "mais de cinco vezes a capacidade de produção" na comparação com as centrífugas padrão anteriores e que o Irã "planeja elevar suas capacidade em dez vezes", informou a agência de notícias Fars.

 

O enriquecimento de urânio é o processo que está no centro as preocupações ocidentais sobre o programa de enriquecimento de urânio iraniano. Ele produz combustível para usinas nucleares de geração de energia mas, se for enriquecido em níveis mais altos, resulta em material para a construção de uma bomba atômica.

 

O Irã é alvo de três grupos de sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) por causa de sua recusa em atender aos ultimatos do Conselho de Segurança para suspender a atividade.

 

Mas Salehi afirmou que, embora o Irã continue comprometido em aceitar a supervisão da ONU para seu programa nuclear, vai participar das conversações da semana que vem com a Grã-Bretanha, China, França, Alemanha, Rússia e Estados Unidos sem aceitar qualquer precondição para discutir o ultimato do Conselho de Segurança.

 

"A atividade nuclear pacífica iraniana nunca será interrompida e o Irã vai continuar a cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)', disse ele. "Se as negociações começarem com precondições, então os resultados estarão claros mesmo antes do início das conversações, o que as tornará ilógicas", acrescentou.

 

Salehi desconsiderou qualquer tipo de ameaça de ação militar contra o Irã caso as conversações com as potências seja infrutífera. Israel e os Estados Unidos recusaram-se a rejeitar qualquer tipo de medidas para evitar que o Irã desenvolva a capacidade de fabricar armas nucleares.

 

"Nós asseguramos que tomamos qualquer ameaça com seriedade, embora tenhamos certeza que nada vá acontecer", disse ele à agência de notícias ISNA. "Nossas atividades nucleares não serão interrompidas com qualquer ataque. Nós dissemos à AIEA que tomamos medidas preventivas ao instalar defesas antiaéreas" nas instalações nucleares, afirmou.

 

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, disse esperar que as conversações permitam a construção de uma "confiança abrangente". "Nós temos de construir uma confiança abrangente com o objetivo de examinar as principais questões e iniciar as negociações", disse Mottaki a um grupo de jornalistas iranianos em Nova York na segunda-feira, segundo a agência de notícias oficial IRNA.

 

Mottaki está em Nova York para participar as Assembleia Geral da ONU, juntamente com o presidente Mahmoud Ahmadinejad. "Nós temos de concordar com uma agenda durante essas conversações e em nosso pacote de propostas levantamos diversas questões...nós abordamos a questão nuclear (global), a não-proliferação de armas e pedimos que todas as atividades nucleares do mundo sejam supervisionadas pela AIEA", disse Mottaki.

 

O Irã apresentou um novo pacote de propostas às seis potências no início deste mês. O documento é a base das conversações que serão realizadas em outubro. O país contrasta sua cooperação com a agência nuclear da ONU com a não-cooperação de seu arqui-inimigo Israel, país que, acredita-se, tenha o único, porém não declarado, arsenal nuclear do Oriente Médio.

 

Mottaki disse que o Irã espera que durante as conversações, as partes envolvidas consigam um acordo para "destruir todas as armas nucleares do mundo".

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