Irã anuncia construção de nova usina para enriquecer urânio

Após confirmar ampliação de centrífugas em planta existente, Teerã promete novas instalações para 2009

Associated Press e Reuters,

09 de abril de 2008 | 11h50

O Irã inaugurará uma nova usina para produção de urânio concentrado - processo que é um passo inicial para se produzir combustível nuclear. O anúncio foi feito nesta quarta-feira por Hossein Faghihian, vice-chefe da Organização de Energia Atômica do Irã. Segundo ele, a planta ficará pronta antes de 20 de março de 2009. As instalações ficarão em Ardakan, no centro do país. A usina processa o minério e o transforma em uma pasta concentrada de óxido de urânio, utilizado na produção de combustível nuclear. Segundo Faghihian, as instalações terão a capacidade de produzir 70 toneladas do material por ano. O Irã já tem uma usina do tipo, que produz em menor escala, na cidade de Bandar Abbas, no sul. Após alguns processos, é possível formar um gás que pode ser usado na usina de enriquecimento de urânio de Natanz. O urânio enriquecido em níveis baixos é usado como combustível em reatores nucleares. Em altos níveis, a substância pode ser utilizada na construção de bombas atômicas. O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, anunciou na terça-feira que o Irã começou a instalar na usina de Natanz 6 mil centrífugas de enriquecimento de urânio de nova geração, que trabalham cinco vezes mais rápido que a atual versão. Se confirmado, o anúncio será a maior expansão do programa de enriquecimento de urânio do Irã - um processo que pode produzir tanto combustível para um reator nuclear quanto material para armas atômicas. No entanto, a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, advertiu que o anúncio não podia ser imediatamente confirmado e diplomatas ligados à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disseram que o Irã está exagerando o avanço em seu programa de enriquecimento, pois atualmente está enfrentando problemas para operar as 3 mil centrífugas já instaladas em Natanz. Os Estados Unidos e o Reino Unido condenaram o anúncio e a França advertiu que o Irã pode enfrentar mais sanções. O porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, pediu à comunidade internacional que detenha o programa atômico "agressivo" do Irã. Mas a Rússia, um aliado de Teerã, atenuou a necessidade de sanções, dizendo que os negociadores estão preparando um novo pacote de incentivos para persuadir o Irã a congelar seu programa de enriquecimento de urânio. O Irã rejeitou o pacote de incentivos da Europa no ano passado e assegura que seu programa nuclear tem como objetivo produzir energia, não armas atômicas como os EUA e muitos aliados temem. Teerã já tem cerca de 3 mil centrífugas funcionando em Natanz, um número considerado suficiente para produzir urânio em escala industrial. As centrífugas são máquinas que podem fazer os compostos do urânio girar a uma velocidade supersônica para separar e concentrar os isótopos mais radioativos do elemento. Durante uma visita a Natanz, como parte da cerimônia pelo Dia Nacional de Energia Atômica, Ahmadinejad disse que as provas sobre o sucesso das novas máquinas estarão prontas em três meses e rejeitou as pressões do Ocidente para suspender as atividades nucleares. "A instalação das 6 mil novas centrífugas é um passo simples se comparado com a grande experiência técnica que nossos cientistas obtiveram no âmbito nuclear", disse, acrescentando que as conquistas científicas do Irã são muito importantes e ninguém pode tirar a tecnologia nuclear das mãos dos iranianos.

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