Irã apresenta nova proposta nuclear a grupo de negociação

EUA dizem que iranianos possuem quantidade suficiente de urânio para produzir arma atômica

09 de setembro de 2009 | 12h20

O governo dos Estados Unidos disse nesta quarta-feira, 9, que tem "sérias preocupações" de que o Irã esteja deliberadamente tentando preservar sua opção por armas nucleares. Washington pediu a Teerã que se integre às novas conversações com aliados sobre suas intenções nucleares. As declarações foram feitas no mesmo dia em que o Irã apresentou sua nova proposta de diálogo ao Ocidente. Não há detalhes sobre o plano.

 

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Glyn Davies, o enviado dos Estados Unidos para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) também advertiu que o último relatório da agência da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que Teerã está perto ou já possui quantidade suficiente de urânio para produzir uma arma nuclear. O urânio iraniano é de baixo teor de enriquecimento e precisaria ser enriquecido em nível mais alto para a fabricação de uma arma. "A atual atividade de enriquecimento...coloca o Irã mais perto de uma possibilidade perigosa e desestabilizadora de elevação (do nível de urânio)", disse Davies à comissão de 35 países da agência.

 

"Tendo em vista a recusa do Irã em se integrar à AIEA e levando em consideração seu trabalho anterior relacionado a ogivas nucleares, temos sérias preocupações de que o Irã está deliberadamente tentando, no mínimo, preservar sua opção por armas nucleares", disse Davies. O último relatório da agência informa que o Irã tem, pelo menos, 1.430 quilos de hexafluorido de urânio de baixo teor de enriquecimento, acrescentou.

 

A Casa Branca pediu que o Irã "assuma suas responsabilidades" e abandone seu programa nuclear "ilegal". "Esta não é só a opinião de um país, é a opinião de todo o mundo", acrescentou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, que desejou que seja possível "ver esse progresso".

 

O Irã reagiu afirmando que está perto para esclarecer as dúvidas. "No que diz respeito à questão nuclear, se há questões ou ambiguidades, estamos bem preparados para remover as ambiguidades no contexto da AIEA", disse o enviado de Teerã, Ali Asghar Soltanieh. Mas em comunicado prévio à comissão, Soltanieh disse que "deve ser relembrado que a agência tem recebido acusações falsas e forjadas" dos Estados Unidos, uma referência a informações de inteligência e outras evidências supostamente conseguidas num laptop que foi contrabandeado do Irã e entregue à agência por Washington.

 

"Eu lembro que a comunidade internacional está cuidadosamente monitorando a atitude e a conduta da administração norte-americana", disse Soltanieh. "O mundo está observando curiosamente se esta administração segue a mesma tendência da administração Bush, buscando confronto políticos hostis, usando alegações fabricadas e sem fundamento".

 

Obama deu um prazo até o fim de setembro a Teerã para negociar com as seis potências sobre benefícios comerciais caso interrompa seu programa nuclear, caso contrário enfrentará mais sanções. Caso contrário, Teerã pode sofrer duras sanções. O Irã afirma que seu programa tem objetivos pacíficos de gerar energia elétrica. Mas a comunidade internacional acredita que o programa encobre a construção de armas atômicas.

 

Nova proposta

 

O Irã entregou aos representantes do grupo de negociação, integrado pelos países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) mais a Alemanha, o novo pacote de propostas sobre a questão nuclear. O documento foi apresentado pelo chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki.

 

Ainda não há detalhes sobre a proposta, mas o país afirmou que o pacote se refere aos "desafios" globais, incluindo cooperação nuclear, mas também deixou claro que o governo de Teerã não está disposto a negociar suas contestadas atividades atômicas, que o ocidente teme visarem a fabricação de bombas.

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